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Cultura

Morre Alain Resnais, um dos maiores diretores da história do cinema

media Alain Resnais em 2009, ao receber um prêmio pelo conjunto de sua obra no Festival de Cannes. REUTERS/Eric Gaillard

Um dos maiores diretores da história do cinema, o francês Alain Resnais morreu na noite deste sábado (1) em Paris, aos 91 anos de idade. Cineasta da memória e do imaginário, o diretor de "Hiroshima, Meu Amor" desafia toda tentativa de classificação. Em filmes muitas vezes escritos por autores de renome, como Marguerite Duras e Alain Robbe-Grillet, Resnais explorava os laços entre a imagem e a escrita, renovando constantemente suas fontes de inspiração.

O anúncio da morte de Alain Resnais foi feito neste domingo (2) pelo produtor de seus três últimos longas, Jean-Louis Livi. "Ele estava preparando comigo um outro filme, para o qual já havia escrito o roteiro inicial", disse Livi.

A filmografia de Resnais conta vários curta-metragens e documentários, além de cerca de vinte longas. Entre eles estão clássicos como "Hiroshima, Meu Amor" (1958), "Meu tio da América" (1980) e "Smoking/No Smoking" (1993).

"Se o Estado não fizer a esse artista modesto e modelo funerais nacionais, como a Itália fez para Fellini, seria abandonar uma glória", afirmou o presidente do festival de Cannes, Gilles Jacob, em sua conta no Twitter.

Thierry Frémaux, delegado-geral do festival, falou de sua "tristeza ao ver um gigante do cinema partir". Ele lembrou que o cineasta havia recebido em 2009 em Cannes um prêmio pelo conjunto de sua obra.

"Sua obra fez o cinema francês brilhar no mundo inteiro", declarou em um comunicado a ministra da Cultura da França, Aurélie Filippetti. Ela enftizou que os filmes de Resnais, "sem fazerem concessões a modas passageiras, tivram quase sempre a felicidade de ter uma boa acolhida tanto do público quanto da crítica". 

Trajetória

Depois de realizar estudos de cinema, Alain Resnais começa sua carreira como editor. Em seguida ele realiza filmes de arte, por exemplo "Van Gogh" (1946) e "Guernica" (1950). Premiadas em vários festivais, essas obras garantam ao cineasta uma reputação de documentarista, confirmada com brio com "Noite e Neblina" (1955), sobre os campos de extermínio nazistas.

As instrigas rarefeitas e a insólita poesia de seus primeiros longas, "Hiroshima, Meu Amor" (1958) e "O Ano Passado em Marienbad" (1961) surpreendem o público e os críticos.

"Muriel" (1962) e "La Guerre est Finie" (A Guerra Acabou, em tradução livre, 1966) refletem sobre a memória, a guerra e o engajamento e afirmam a singularidade e o talento do cineasta.

Após dois filmes menores, "Eu Te Amo, Eu Te Amo" (1968) e "Stavisky Ou o Império de Alexandre" (1974), protagonizado por Jean-Paul Belmondo, Resnais oferece com "Providence" (1976) uma reflexão sutil sobre a criação literária. O filme foi unanimemente reconhecido como uma obra-prima.

Nos anos 80, o cineasta não se deixa rotular: ele adapta as teses do biólogo Henri Laborit ("Meu Tio da América") e uma peça de Henry Bernstein ("Mélo"), dirige uma comédia sobre a educação ("Ma vie est un roman", Minha vida é um romance, em tradução livre), um drama protestante sobre a reencarnação ("L'Amour à mort", Amor até a morte, em tradução livre) ou ainda uma fantasia sobre um desenhista de quadrinhos, uma de suas paixões ("I want to go home", Quero ir para casa, em tradução livre).

Seu filme em duas partes, "Smoking"/"No smoking" (1993), uma história com diferentes opções de final estrelada por sua musa Sabine Azéma e por Pierre Arditi, recebeu o Urso de Prata no festival de Berlim e cinco César - o Oscar francês.

Inovação até o final

Apesar da consagração, Alain Resnais não para de inovar, dirigindo uma comédia musical ("Amores Parisienses", 1997) e adaptando uma opereta de 1925, "Beijo na Boca, Não!" (2003).

Seu filme "Coeurs" (Corações, em tradução livre) é uma comédia em tom melancólico e onírico sobre o tema da solidão. O filme vence o Leão de Prata para a direção no festival de Veneza em 2006. Alain Resnais já havia recebido em 1995 um Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra.

Depois de três anos de ausência das telas, em 2009 ele dirigiu "Ervas Daninhas", uma reflesão cheia de fantasia sobre o desejo com Sabine Azéma e André Dussolier.  "Um filme é algo sobre o qual a gente não pensa, mas que deve nos absorver. Eu deixo os filmes crescerem como ervas daninhas", explicou o diretor.

Resnais rodou ainda "Vocês Ainda Não Viram Nada!" (2012) e "Amar, Beber e Cantar", uma fantasia entre teatro, cinema e quadrinhos que estreia na França no final de março. Selecionado para a competição oficial do festival de cinema de Berlim deste ano, o longa obteve o prêmio Alfred Bauer "para um filme que abre novas perspectivas". Ironia do destino, trata-se de um adeus mais do que apropriado para esse cineasta de 91 anos que nunca deixou de trilhar caminhos desconhecidos em sua obra.

Alain Resnais foi casado com Florence Malraux, filha do escritor André Malraux. Mas desde o final dos anos 80 ele vivia com Sabine Azéma, com quem se casou em 1998.

 

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