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Cultura

Retorno da maison Schiaparelli marca temporada da alta-costura

media Os chapéus esculturais que marcaram a carreira de Elsa Schiaparelli foram lembrados no desfile de relançamento da marca em Paris. REUTERS/Charles Platiau

A temporada de desfiles da alta-costura teve início nessa segunda-feira (20) em Paris. Além dos grandes nomes da moda, como Chanel, Christian Dior e Valentino, o calendário é marcado pela volta às passarelas da maison Schiaparelli, que não desfilava desde 1954. A apresentação, um dos eventos mais esperados desta semana da moda, é o ponto alto de uma série de projetos paralelos que preparam o retorno da marca ao mercado.

Ela ficou conhecida no mundo da moda como a principal rival de Gabrielle Chanel. Mas a imagem dessa “artista italiana que faz vestidos”, como dizia Coco com uma pitada de desprezo, vai muito além da rixa entre as duas grandes damas das passarelas. Influência constante para estilistas contemporâneos, Elsa Schiaparelli foi um dos principais nomes do setor nas décadas de 1930 et 40. Talvez por essa razão a volta da marca no calendário da alta-costura tenha feito tanto barulho.

O desfile foi realizado na praça Vendôme, ao lado da boutique histórica da maison, e contou com uma primeira fila repleta de personalidades, como a atriz e ex-modelo Elle Macpherson, a ex-primeira-dama francesa Carla Bruni – amiga de longa data de Farida Khelfa, a musa inspiradora dessa nova fase da marca – e o estilista Jean Paul Gaultier. O costureiro, que muitas vezes fez alusões à Schiaparelli em suas coleções, elogiou a “poesia moderna” das peças apresentadas no retorno da marca.

Conhecida por sua excentricidade, Schiaparelli, morta em 1973, foi uma das primeiras a fazer colaborações com artistas, como Salvador Dalí e Jean Cocteau, que desenharam estampas para os tecidos e acessórios de suas coleções. Inspirada pelo Cubismo e o Surrealismo, ela causou surpresa ao criar chapéus extravagantes, como um modelo em forma de sapato, que teria tudo para agradar Lady Gaga nos dias de hoje. Aliás, esse dom para brincar com a função dos objetos, transformando-os em acessórios de moda também era inédito na época.

Uma volta às passarelas orquestrada há anos

Relegada aos livros de história da moda e aos “mood boards”(pranchas de inspiração) dos estúdios de criação dos estilistas atuais, a marca Schiaparelli estava fora do mercado desde 1954. Até que, em 2007, o italiano Diego della Valle decidiu ressuscitá-la. O proprietário da grife de sapatos Tod’s vem preparando essa volta desde então, como prova a série de eventos realizados sobre a estilista nos últimos anos.

Além de uma exposição organizada em 2012 com Miuccia Prada no Metropolitam Museum, em Nova York, o empresário reabriu, com muita pompa, a loja da maison na praça Vendôme no mesmo ano. Já em 2013 o costureiro Christian Lacroix, também fora das passarelas, chegou a fazer uma coleção em homenagem à italiana, o que suscitou os rumores de que ele teria sido escolhido para o renascimento da marca. Mas finalmente o eleito foi Marco Zaninni, ex-diretor artístico da Rochas que, para seu primeiro desfile, preferiu ficar no registro saudosista, inclusive com os chapéus exóticos.

A série de eventos continua na próxima quinta-feira (23), quando a casa de leilões Christie’s organiza, em Paris, uma impressionante venda de peças do arquivo da atriz Marisa Berenson, neta de Schiaparelli. Colecionadores do mundo todo já estão em alerta.

Brasileiro prepara boutique

Gustavo Lins, o único brasileiro na alta-costura, às voltas com o projeto de abertura de seu primeiro espaço de venda, previsto para o segundo semestre, preferiu pular essa temporada e não desfila essa semana. Um fato inédito para o estilista, que está presente no prestigioso calendário desde 2007.

O costureiro, que abusa das influências da arquitetura em suas criações (herança de sua formação inicial), vem ampliando cada vez mais suas atividades em busca do que chama de “prêt-à-porter de luxo”. Uma espécie de alfaiataria extremamente requintada que conta, a cada temporada, com o apoio de Didier Grumbach, o poderoso presidente da Câmara Sindical da Alta-Costura, sempre presente nos desfiles. 

O novo espaço, no bairro do Marais, a apenas alguns metros de seu ateliê tradicional, será a primeira vitrine na qual o estilista poderá ter um contato direto com os clientes desse prêt-à-porter de luxo. O projeto tem tomado boa parte do tempo do costureiro, que vê essa temporada fora das passarelas com filosofia. “Poder fazer uma pausa é um verdadeiro luxo”, comentou o mineiro em entrevista à RFI. Em um mundinho onde o ritmo dos calendários está cada vez mais acelerado, entre alta-costura, prêt-a-porter masculino, feminino e pré-coleções, talvez ele tenha razão.

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