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Cultura

Ai Weiwei relembra a prisão chinesa na Bienal de Veneza

media Ai Weiwei sentado na privada, observado por dois guardas, é parte de uma instalação na Bienal de Veneza. REUTERS/Stefano Rellandini

O artista plástico chinês Ai Weiwei é um dos grandes destaques da Bienal de Arte de Veneza, que começa neste sábado. O dissidente traz uma instalação inspirada no período em que ficou preso em 2011, acusado por Pequim de sonegação de impostos. Na época, seu passaporte foi retido e nunca mais devolvido.

A exposição, batizada de S.A.C.R.E.D., é composta por seis cubículos de metal enferrujado colocadas em plena nave da igreja barroca de Santo Antonino, a dez minutos da praça de São Marco. Cada caixa metálica representa um momento do cotidiano do artista na prisão. São cenas banais, durante uma refeição, tomando banho ou sentado em uma privada. Mas o detalhe perturbador está na presença constante de dois guardas a postos, até quando Ai Weiwei dorme. O visitante é um voyeur, espiando ele também a intimidade do artista.

O realismo dessas representações, lembrando a estética tradicional do comunismo chinês, faz um contraste insólito com o cenário barroco da pequena igreja, e deve atrair um grande público. “A experiência foi muito traumatizante para Ai Weiwei, que procurou exorcizar o ocorrido com essa instalação”, declarou Greg Hilty, da galeria Lisson.

Paralelamente à participação em Veneza, Ai Weiwei publicou na internet um vídeo descrevendo sua detenção com tons sombrios e irônicos ao mesmo tempo. Em entrevista a um jornalista da agência France Presse em Pequim, o artista declarou que as autoridades chinesas continuam a reter seu passaporte, sem dar qualquer explicação.

Ai Weiwei também expõe uma obra no pavilhão alemão em Veneza, sem conexão com seu período na prisão.
 

 
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