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Esportes

Isenção do serviço militar obrigatório para atletas provoca discussão na Coreia do Sul

media O jogador sul-coreano Son Heung-min comemora com sua equipe durante os Jogos Asiáticos REUTERS/Athit Perawongmetha

Durante os Jogos Asiáticos de 2018, os atletas sul-coreanos ganharam várias medalhas, incluindo um ouro no futebol, e escaparam, dessa forma, do longo serviço militar obrigatório do país. De acordo com a legislação de Seul, todos os esportistas ficam isentos, uma regra que provoca controvérsias na Coreia do Sul. Os protestos para uma reforma do sistema não param de aumentar.

Do correspondente da RFI em Seul, Frédéric Ojardias

No último fim de semana, o atacante principal da equipe inglesa de futebol, o jogador sul-coreano Son Heung-min, levou a medalha de ouro com sua equipe durante os Jogos Asiáticos da Indonésia, que aconteceram na cidade de Jacarta. Ele pôde, com esse feito, escapar do serviço militar obrigatório e seguir carreira internacional. Na imprensa coreana e internacional, essa questão deixou os jogos esportivos em segundo plano e muitos criticaram a isenção dos atletas.

De acordo com a lei sul-coreana, todos os homens entre 18 e 28 anos devem servir ao exército por 21 meses – um período longo justificado pela ameaça da Coreia do Norte. Mas os rapazes podem ser isentos se contribuírem para melhorar a imagem e o prestígio do país no exterior. A regra foi estabelecida pelo general Park Chung-hee em 1973.

O privilégio, no entanto, não é mais visto com bons olhos. Alguns pedem mesmo o fim desse sistema, visto como injusto por homens que também se consideram “talentosos”. Outros criticam o fato de que o esporte não é a única forma de dar destaque internacional à Coreia do Sul.

Um exemplo são as estrelas do K-Pop, a música pop coreana, bastante conhecida no exterior. Os fãs do grupo BTS, que acabou de chegar ao primeiro lugar no ranking Billboard, fizeram uma petição para que os jovens também sejam dispensados do serviço militar.

Um deputado conservador, Ha Tae-kyung, exige que as isenções sejam feitas também aos artistas, que contribuem para o “soft power” sul-coreano. Mas existe o risco aumentar ainda mais a polêmica: como estabelecer os critérios de escolha?

Exército não concorda com isenção

A discussão não agrada o exército sul-coreano, que já enfrenta um déficit de inscritos em razão de uma baixa taxa de natalidade. Na segunda-feira (3), um representante das Forças Armadas argumentou que era preciso revisar o sistema de isenção – não para ampliá-lo, mas para torná-lo mais rigoroso. Já na terça-feira (4), o primeiro-ministro sul-coreano Lee Nak-yon disse que, diante das críticas, o governo deveria tomar uma atitude sobre o assunto.

Há, por fim, os que se recusam a servir ao exército por convicção pessoal, mas esses nem são reconhecidos pelo Estado. A Corte Constitucional fez um apelo para que a lei fosse revista e para que um serviço civil fosse criado para regularizar os que não fizeram os 21 meses obrigatórios, mas até agora nada foi feito.

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