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Ciências

Atendimento multidisciplinar é essencial para dar conforto a mulheres com endometriose

media A ginecologistra e obstetra brasileira Simone Perdigão Cotta em palestra sobre endometriose promovida pelo núcleo parisiense do Grupo Mulheres do Brasil. Foto: RFI/Adriana Moysés

Sete a oito anos. Este é o tempo médio que uma mulher com endometriose demora para receber o diagnóstico da doença na França e também no Brasil. A boa novidade é que a criação de centros especializados reunindo profissionais de várias áreas, não apenas ginecologistas, tem melhorado muito a qualidade do atendimento oferecido às pacientes.

Essa doença crônica, complexa, que não tem cura, mas tem tratamento, foi durante muito tempo preterida pelos cientistas. Mas, hoje, graças à ação de associações de pacientes, da sensibilização dos médicos e do aumento dos investimentos em pesquisa, a doença vai deixando de ser tabu.

Não é normal a mulher sentir dores intensas durante a menstruação. Se isso acontece a cada ciclo menstrual, é preciso investigar a presença eventual da endometriose. Em algumas pacientes ela é assintomática, mas na maioria das vezes provoca mal-estares incapacitantes durante o ciclo e este deve ser o primeiro sinal para buscar uma avaliação clínica.

Além da cólica anormal, os sintomas mais frequentes da endometriose são dores durante a relação sexual, dificuldades para engravidar, ou até infertilidade. A doença se caracteriza pela migração do endométrio, a mucosa que reveste o útero, para outros órgãos dos sistemas ginecológico, urinário e digestivo durante a menstruação. O tecido que se encontra fora do útero não é expelido, provocando inflamação, lesões e dor. A literatura médica registra casos extremos em que pedaços de endométrio foram parar nos olhos, nos ligamentos e na coluna vertebral. Na menopausa, os sintomas praticamente desaparecem, mas 5% das mulheres continuam manifestando a doença, relata o ginecologista e obstetra Giuliano Moysés Borrelli, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e do núcleo de endometriose do Hospital Samaritano (SP).

“A endometriose tem origem multifatorial: é provocada por fatores genéticos, imunológicos, hormonais e ambientais, que em conjunto predispõem algumas pessoas a desenvolver a doença”, destaca Borrelli. Uma em cada dez mulheres no mundo em idade reprodutiva tem a patologia. No Brasil, 7 milhões são afetadas; cerca de 180 milhões, em todo o mundo.

Associação francesa faz campanhas de sensibilização

A EndoFrance, primeira associação francesa de luta contra a endometriose, existe desde 2001. Mas segundo sua presidente, Yasmine Candau, as ações da entidade ganharam visibilidade nos últimos cinco anos. “Promovemos debates, mesas-redondas com pesquisadores, médicos e outros profissionais da saúde para levar informação às mulheres e ao público em geral, em todo o país”, explica. A associação, que conta com 2 mil aderentes, organiza encontros de mulheres para que elas possam compartilhar os problemas que enfrentam no cotidiano com a doença.

Nos últimos dois anos, a EndoFrance arrecadou mais de € 100.000 em doações para diferentes grupos de pesquisa, mas a doença permanece pouco conhecida e requer maior atenção do poder público. O grau de sensibilização melhorou desde que uma atriz popular de uma série de TV, Laetitia Milot, abraçou a causa, quebrando o tabu.Na França, dados oficiais indicam que a patologia provoca 33 dias de licença médica por ano às portadoras.

A ginecologista e obstetra franco-brasileira Simone Perdigão Cotta, especialista em reprodução assistida, recebe em seu consultório parisiense muitas pacientes com dificuldades para engravidar devido à endometriose, às vezes não diagnosticada. Ela constata que o diagnóstico ainda é tardio para muitas mulheres pelo próprio desconhecimento de médicos de outras especialidades, não familiarizados com a doença. Entre 30% e 40% das pacientes sofrem de infertilidade.

Há quatro anos, Perdigão Cotta passou a integrar com seu consultório a rede “Resendo” do Hospital Saint Joseph, no 14° distrito de Paris, constituída por profissionais de cirurgia ginecológica, urologia, aparelho digestivo, pneumologia, reumatologia, clínica ginecológica, radiologistas, especialistas em dor, psicólogos, sexólogos e nutricionistas. Todos formados no atendimento global de mulheres com endometriose. Segundo ela, quanto mais cedo o diagnóstico ocorre, mais controle se tem sobre a doença e suas consequências.

Tratamento inicial com anticoncepcional

O principal tratamento continua sendo a suspensão do ciclo menstrual pelo uso da pílula anticoncepcional. Quadros severos exigem a videolaparoscopia cirúrgica para remover as lesões, explica a médica. O diagnóstico é feito pela análise clínica da paciente e ultrassonografia realizada por um radiologista especializado no reconhecimento de lesões causadas pela endometriose. A ressonância magnética nem sempre é necessária. “É muito importante buscar um profissional com formação especializada em endometriose”, enfatiza. A decisão de uma cirurgia, por exemplo, deve ser avaliada pela equipe multidisciplinar, afirma a médica.

Em um encontro recente organizado pelo núcleo parisiense do Grupo Mulheres do Brasil, que contou com a presença de 35 brasileiras expatriadas na França, Perdigão Cotta respondeu a muitas dúvidas das participantes. Algumas portadoras da doença relataram anos de sofrimento até receberem o bom diagnóstico, a dificuldade de serem ouvidas quando se queixavam de dores difusas. Neste encontro, ficou clara a necessidade de um acompanhamento global da mulher, sobretudo para a dor, que nem sempre desaparece com o tempo e o tratamento. Tanto na França quanto no Brasil, os centros especializados em endometriose têm associado acupuntura, dieta equilibrada e outros cuidados para reduzir o desconforto causado por essa doença complexa.

A ginecologista brasileira encerrou sua palestra em tom otimista, recomendando às mulheres que façam esporte e pensem na preservação da fertilidade ante a endometriose. Hoje, o congelamento de óvulos é uma alternativa eficaz para essas pacientes controlarem a doença sem abrir mão da maternidade.

Brasileiras participantes de encontro informativo sobre a endometriose em Paris. Foto: RFI/Adriana Moysés
 
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