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Répteis e insetos são os mais vulneráveis a extinções em massa

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Répteis e insetos são os mais vulneráveis a extinções em massa
 
O antropólogo paulista Eduardo S. Brondizio Captura de vídeo

A ONU divulgou nesta semana, em Paris, um relatório alarmante sobre a destruição dos seres vivos do planeta. Um milhão de espécies animais e vegetais estão ameaçadas de extinção "nas próximas décadas", de um total de 8 milhões que se estima existir na Terra.

Os répteis e insetos são os mais vulneráveis, conforme explica o pesquisador brasileiro Eduardo Brondízio, um dos coordenadores do estudo. “Também verificamos que em torno de 1.000 espécies de animais domesticados também estão ameaçados de extinção”, afirma.

O documento indica que 75% do ambiente terrestre e 66% do marinho estão "seriamente perturbados" pela atividade humana. Todas as regiões do mundo são atingidas. Porém as zonas tropicais e dos polos se mostram mais sensíveis, ao sofrerem efeitos acentuados das mudanças climáticas, como derretimento de geleiras e o aumento dos fenômenos naturais extremos.

O relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), que reúne mais de 130 países, apontou um ranking dos vilões da natureza. Em primeiro plano, a agricultura e a pesca. “Os fatores mais influentes diretos são o uso da terra e do mar, a extração direta de espécies, as mudanças climáticas, a poluição em geral e, em quinto lugar, a expansão de espécies invadoras”, indica o especialista.

Transformações profundas

Eduardo Brondízio, antropólogo da Universidade Indiana Bloomington (EUA), ressalta que ainda há tempo para reverter esse quadro – porém será necessária uma transformação significativa na economia e na importância do papel da natureza na sociedade. Ele adverte: o setor produtivo e extrativista precisam tomar consciência do impacto das suas ações para toda a humanidade.

“Precisamos de reações tanto em nível local, das pessoas mudando a sua maneira de consumir e trabalhando para melhorar o seu ambiente, quanto em nível nacional e internacional. É importante os vários setores da economia internalizarem os custos de produção aos custos à natureza”, adverte. “Não podemos mais aceitar que a natureza esteja aí para ser usada de qualquer maneira. Não podemos esperar mais: o impacto já atingiu uma escala global.”

Cúpula de 2020 promete

O documento sublinha que os governos deveriam pensar além do PIB como medida da riqueza e incorporar outras formas de capital, como o natural, o social e o humano. Os Estados membros da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP15) se reunirão em 2020 na China. Na cúpula, os ambientalistas esperam que sejam adotados planos ambiciosos de ação até 2050 para preservar o planeta.

Nesta segunda-feira, os ministros do Meio Ambiente do G7, também reunidos na capital francesa, adotaram uma carta para a preservação da biodiversidade. O documento é não vinculante - ou seja, o seu cumprimento não é obrigatório.

O texto incluiu um parágrafo extra para marcar as divergências entre os Estados Unidos e os demais integrantes sobre as mudanças climáticas. Além dos americanos, o G7 reúne França, Canadá, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Reino Unido.

* Eduardo Brondízio foi entrevistado pela repórter da RFI Neide Ribeiro


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