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Após dinossauros, Terra pode estar em sexta extinção em massa de espécies

Após dinossauros, Terra pode estar em sexta extinção em massa de espécies
 
Sétima sessão plenária do IPBES acontece na Unesco, de 29 de abril a 4 de Maio de 2019. Captura de vídeo UNESCO

Paris é palco nesta semana de uma conferência mundial das Nações Unidas sobre a biodiversidade, que vai divulgar na próxima semana um aguardado relatório sobre o estado da destruição da natureza. Cientistas e diplomatas de mais de 130 países elaboram a primeira avaliação mundial dos ecossistemas em 15 anos.

Uma das informações alarmantes que constam no rascunho do documento é que a Terra pode estar a viver a sexta extinção em massa de espécies, no espaço de apenas algumas décadas. A última vez que isso tinha ocorrido foi há 65 milhões de anos, quando os dinossauros desapareceram.

O grupo de especialistas trabalhou durante três anos em um relatório de 1.800 páginas. O documento deve se tornar a referência científica sobre os seres vivos que habitam o planeta.

Um dos pontos a serem esclarecidos é o papel humano no desaparecimento de espécies. Na abertura do evento, na segunda-feira (29), o presidente da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), Robert Watson, destacou que a destruição da natureza ameaça o bem-estar do homem "ao menos tanto quanto” as mudanças climáticas. Por isso, ele defende que o tema merece mais atenção da sociedade.

O relatório vai apresentar uma série de recomendações aos governos e entidades internacionais, baseadas em seis cenários possíveis nos próximos 30 anos, conforme uma maior ou menor atuação dos países para combater o problema. Paula Drummond de Castro, bióloga que representa a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPES), prefere ver o copo meio cheio.

“Eu sou uma pessoa otimista. A gente precisa ter uma mudança e eu acredito que a gente está caminhando, a passos lentos”, comenta. “Talvez eu esteja contaminada pelos ares franceses. É muito inspirador ver um governo que acredita em compatibilizar o meio ambiente e o desenvolvimento.”

Agricultura e gestão das cidades

No Brasil, os ecossistemas são ameaçados principalmente pela expansão da agricultura e a gestão das cidades. Para protegê-los, as políticas de desenvolvimento sustentável deveriam ser uma prioridade – no entanto, sob o governo de Jair Bolsonaro, essa preocupação parece estar cada vez mais em segundo plano.

“Eu acho que não está tendo o protagonismo necessário a essa agenda. O desenvolvimento deveria ser repensado, colocando o vetor da conservação ambiental não só na agricultura, mas em todas as formas de desenvolvimento”, argumenta a pesquisadora.

O uso indiscriminado de agrotóxicos, por exemplo, contribui para a destruição da biodiversidade e é apontado como uma das principais causas para o desaparecimento de pássaros e insetos polinizadores, como as abelhas. Há mais de 10 anos, o Brasil lidera o ranking dos países que mais usam produtos químicos na agricultura no mundo.

O país caminha para se consolidar ainda mais nessa posição: em dois meses de governo, Bolsonaro liberou a utilização de mais 74 produtos, além do recorde de 450 que já eram autorizados no governo de Michel de Temer. Na contramão, a União Europeia avalia a proibição do glifosato, o agrotóxico mais usado na agricultura.

“A plataforma brasileira lançou um relatório temático em polinização e produção de alimentos, que aponta os riscos do uso intensivo e errado dos agrotóxicos, afinal não é só a quantidade, mas também a forma como eles são aplicados que pode ser prejudicial. Mostramos tudo isso, mas parece que não ecoou muito junto aos tomadores de decisões”, lamenta Paula.

A bióloga ressalta que setores do agronegócio brasileiro tentam se adaptar à uma agricultura mais sustentável – foi a própria bancada agrícola no Congresso que brigou para a manutenção do Ministério do Meio Ambiente, que por pouco não foi extinto. “Não podemos desistir. O cenário está um pouco desfavorável, mas não pode deixar apagar.”

Extinções tendem a se acelerar

Na conferência do IPBES, que acontece na sede da Unesco, na capital francesa, o Brasil é representado por um jovem diplomata do Ministério das Relações Exteriores, além dos pesquisadores e cientistas participantes. O chanceler Ernesto Araújo não acredita nas mudanças climáticas. 

O relatório da plataforma da ONU será publicado em 6 de maio. Um resumo preliminar do documento obtido pela agência AFP indica que quase nenhuma das 20 metas previamente estabelecidas para 2020 será alcançada até 2050, como se esperava.

O texto menciona que um quarto das 100 mil espécies avaliadas já estão sob ameaça de extinção, devido à agricultura, a pesca, a caça ou às mudanças climáticas. A extinção, escrevem os especialistas no rascunho, tende a se acelerar:  entre 500 mil e 1 milhão de espécies devem ficar em risco, "muitas já nas próximas décadas".


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