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Ciências

Comer mal mata mais do que fumar

media Estudo publicado pelo jornal Le Monde desta quinta-feira, 4 de abril, revela que uma em cada cinco mortes no mundo é provocada pela má alimentação. Fotomontagem RFI

Um estudo publicado pelo jornal Le Monde desta quinta-feira (4) revela que uma em cada cinco mortes no mundo é provocada pela má alimentação. A pesquisa, que avalia o impacto para a saúde de hábitos alimentares desequilibrados, foi realizada em 195 países, entre eles o Brasil.

Em 2017, onze milhões de pessoas, isto é, 20% do total de óbitos registrados em todo o mundo, morreram em consequência de uma alimentação inadequada. Comer mal mata mais do que o consumo de cigarros, responsável por oito milhões de mortes por ano no mundo.

Os primeiros fatores de risco são o excesso de sal, um consumo insuficiente de cereais integrais e uma dieta pobre em frutas, aponta a reportagem.

O estudo foi realizado por 130 pesquisadores que integram o Global Burden of Disease (GBD, ou Painel Global de Doenças), do Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde (IHME, na sigla em inglês) de Seatle. Ele foi publicado inicialmente na quarta-feira (3) na revista médica The Lancet.

Década de ações pela nutrição

Le Monde lembra que as Nações Unidas lançaram em 2016 uma década de ações pela nutrição. A pesquisa do GBD sobre o impacto da má alimentação confirma a necessidade de ampliar os esforços em matéria de saúde pública nessa aérea. "Este estudo é um sinal de alerta. Se não adotarmos uma dieta sadia, para nossa saúde mas também para o meio ambiente, não iremos muito longe", adverte Francesco Branca, diretor do departamento de nutrição da Organização Mundial da Saúde (OMS), entrevistado pelo jornal.

A pesquisa vem corroborar a necessidade crescente de se levar em conta os problemas de alimentação em nível mundial. "Há uma conscientização cada dia mais importante sobre o impacto da nutrição no desenvolvimento de doenças crônicas", aponta Mathilde Touvier, diretora de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica francês, que representou a França no estudo mundial. “A nutrição não é mais um problema de segundo plano, como pensávamos há 20 anos”, salienta a pesquisadora.

Fenômeno atinge todos os países

O estudo, financiado pela fundação Bill e Melinda Gates, mostra que nenhum país escapa do impacto da má alimentação. Nenhuma das 21 grandes regiões geográficas observadas em 2017 apresentou um consumo ideal do conjunto de 15 componentes alimentares estudados.

Mas algumas delas se saem melhores do que outras em alguns quesitos. Na Ásia central, por exemplo, a quantidade consumida de legumes é considerada boa. Nos países ricos da Ásia-Pacífico, como Japão e Coreia do Sul, as pessoas consomem porções suficientes de ômega três. Já Caribe, Ásia do Sul e África subsaariana, apresentam consumo adequado de leguminosas.

Mas, sem surpresas, os países pobres são os mais atingidos pelo fenômeno. Por exemplo, a má alimentação mata dez vezes mais pessoas no Uzbequistão do que em Israel, que é o país que tem a menor taxa do número de óbitos provocados por uma dieta inadequada, 89 em cada 100 mil habitantes. Depois de Israel, vêm a França, Espanha e Japão. O Brasil integra esse pelotão do grupo de países com menos fatores de risco.

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