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Ciências

Movimento #HealthyFood: influencers combatem anorexia no Instagram

media A jornalista brasileira Luana Ferrari compartilha suas receitas saudáveis no Instagram. @luferrari12

“200 gramas de sêmola, uma cebola, um pimentão, 250 gramas de tomates sem pele, um bife de carne moída, óleo, sal, pimenta e temperos”: essa é a receita da “tajine healthy” da estudante francesa Doriane Sansano, de 20 anos. A jovem, que venceu a anorexia há apenas alguns meses, é integrante de um movimento que se popularizou no Instagram. Estimulando as pessoas a comerem de forma saudável, a nova moda contribui no combate aos transtornos alimentares.

Os perfis se multiplicam no Instagram. Basta uma simples busca pelas hashtags #HealthyFood (comida saudável), #RealFood (comida de verdade) #EatClean (comer limpo) ou simplesmente #WhatsOnMyPlate (o que tem no meu prato) para encontrar milhares de usuários que compartilham fotos de pratos, receitas e dicas de alimentação saudável.

Majoritariamente do sexo feminino, boa parte dessas influencers não escondem ter enfrentado transtornos alimentares, tais como anorexia e bulimia, detectados principalmente em mulheres. Muitas também dão dicas de exercícios físicos e de saúde mental, detalhando através de belas imagens uma rotina nem sempre feliz no combate a esses distúrbios.

“Quando caí na anorexia, encontrei um pouco de ajuda no Instagram e comecei a seguir o perfil de algumas pessoas. Em setembro, quando me senti curada, decidi criar uma conta para retribuir a ajuda”, diz Doriane. No perfil foxylucky23, a jovem publica fotos de receitas “simples, mas gostosas”, do café da manhã ao jantar, abusando de cereais, frutas e legumes.

Além dos comentários motivantes de seus seguidores, a estudante também diz receber com frequência mensagens privadas de pessoas que, como ela, enfrentaram ou estão lutando contra transtornos alimentares. “Durante o tratamento, temos muitas dúvidas e nos questionamos frequentemente se estamos indo pelo caminho certo. Vejo que o temor que eu tinha sobre muitas coisas, outras garotas também têm. Digo para elas não se preocuparem, que eu também passei por isso e embora a gente pense que nunca vá acabar, tudo dá certo no final”, salienta.

“Eu tenho uma história para contar”

A jornalista Luana Ferrari, 36 anos, autora do blog Luana’s Food Therapy também publica as receitas que cria em sua conta no Instagram. Embora jamais tenha enfrentado qualquer distúrbio alimentar, admite: “eu tenho uma história para contar com a qual as pessoas conseguem se relacionar”. 

Brasileira radicada em Paris, Luana já chegou a pesar mais de 100 quilos, mas precisou emagrecer devido a uma displasia congênita de quadril. Após um trabalho de reeducação alimentar realizado junto a uma nutricionista, eliminou 40 quilos.

“Eu sempre gostei de cozinhar e, desde que mudei minha alimentação, minha relação com a comida também mudou. Eu tinha uma alimentação paupérrima e hoje tenho uma alimentação diversificada, adoro descobrir receitas. Foi assim que nasceu o Luana’s Food Therapy”, relembra.

Para ela, a melhor parte do que chama de “terapia alimentar” que oferece em seu blog é entrar em contato com as pessoas e conhecê-las. “A maioria das meninas com quem converso sofre de compulsão alimentar e está buscando melhorar a vida delas. Por conta da minha história e da minha trajetória, acredito que tenho algo a agregar. O que eu mais quero é poder criar uma ponte entre as pessoas”, conta.

O bem-estar alimentar

Para Pascale Ezan, vice-presidente de Ciências da Gestão da Universidade do Havre, o principal objetivo das contas de “healthy food/healthy life” no Instagram é compartilhar a ideia de “bem-estar”, depois que seus autores venceram episódios difíceis em relação à alimentação. Com outras duas pesquisadoras, Lamia Sadoun e Valérie Hemar-Nicolas, a especialista estuda o movimento que ganha cada vez mais adeptos na França.  

“Percebemos que os autores dos posts querem mostrar que há o prazer de comer, que a refeição é um momento de compartilhamento e, para exibir tudo isso, há o lado estético que é muito importante no Instagram. Existe todo um trabalho elaborado na forma de apresentar os pratos que caracteriza esse movimento”, analisa.

Outra característica, segundo Ezan, é a apropriação das mensagens de saúde pública nesses perfis. “O que constatamos é que há um papel extremamente importante dos influencers que passam a ser redes de informação. Ou seja, as dicas veiculadas pelos instagrammers se tornam mais legítimas do que as campanhas institucionais do Estado”, observa.

Tortinha Vegana @luferrari12

O nutricionista Nicolas Sahuc, da Fundação Francesa Anorexia Bulimia (FFAB), acredita que o movimento tem pontos positivos e negativos. O especialista em distúrbios alimentares teme que os influencers possam substituir o acompanhamento médico, essencial para quem sofre com esses transtornos.

“Como os distúrbios de comportamento alimentar são patologias que dizem respeito a dimensões somáticas e psiquiátricas, não é apenas modificando a alimentação com base em conselhos das redes sociais que a pessoa será curada”, diz.

Por outro lado, Sahuc acredita que o movimento pode ser benéfico, por exemplo, mostrando que a saúde está se tornando mais “instagramável” do que os ideais de beleza inalcançáveis. “É ótimo que exista essa espécie de contraponto, onde pessoas estão passando a dar mais importância ao valor nutritivo das refeições do que às fake diets”, avalia.

Já Ezan teme que o movimento incentive um novo distúrbio alimentar que vem se tornando cada vez mais comum entre os adeptos do “healthy food”, a ortorexia nervosa. “Há uma linha muito tênue entre o equilíbrio alimentar e o controle obsessivo em busca de uma vida saudável”, conclui.

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