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Apesar dos avanços, Aids ainda é uma epidemia, diz médico da OMS

Apesar dos avanços, Aids ainda é uma epidemia, diz médico da OMS
 
Marco Vitória, médico do departamento HIV-Aids da OMS em Genebra. Arquivo Pessoal

O planeta celebra neste sábado (1°) o Dia Mundial da Luta contra a Aids, data que completa 30 anos em 2018. Um dos principais desafios da Organização Mundial de Saúde (OMS) para os anos que virão será a ampliação do acesso ao diagnóstico do vírus. Desde o início da epidemia, mais de 70 milhões de pessoas adquiriram a infecção e cerca de 35 milhões de pessoas morreram em decorrência dela. Marco Vitória, médico do departamento HIV/Aids da Organização Mundial de Saúde (OMS), em Genebra, na Suíça, aponta desafios e conquistas da campanha que visa erradicar e prevenir a doença em todo o mundo.

Hoje em dia, cerca de 37 milhões de pessoas no mundo vivem com o HIV. Destas, 22 milhões já estão em tratamento. O especialista lembra que, apesar dos grandes avanços conquistados em termos de acesso ao tratamento e ao diagnóstico da infecção pelo vírus da Aids, ainda é necessário um esforço maior para se atingir a meta estabelecida para 2020, quando se espera que cerca de 90% dos infectados se tornem cientes de sua condição.

Neste combate, uma das ferramentas essenciais para ampliar o diagnóstico da Aids é o chamado “autoteste”. “A diversificação de formas de se realizar o teste de HIV tem sido colocada como uma estratégia importante. Nos últimos anos, a OMS tem recomendado a utilização do autoteste e cerca de 60 países já aplicam essa tecnologia nos seus formulários, para obter um diagnóstico mais precoce”, conta Marco Vitória.

Resultados instantâneos do “autoteste”

“É importante deixar claro que, embora os resultados do autoteste sejam instantâneos, o procedimento deve ser acompanhado de um aconselhamento e da presença de serviços que poderão confirmar o diagnóstico e encaminhar o paciente para um tratamento o mais rápido possível”, diz o especialista.

Outra prioridade da OMS é intensificar a campanha de Luta contra a Aids junto às chamadas populações-chave. “Essas são as populações onde existe um risco aumentado, uma vulnerabilidade maior em relação ao vírus HIV, principalmente aquelas que têm um risco acrescido, como por exemplo, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, transgêneros e outros. Esses grupos frequentemente têm mais dificuldade de acesso ao diagnóstico por causa do estigma e da discriminação que existe em torno deles”, afirma o médico.

Mudança de faixa etária

Se o foco das campanhas anti-HIV sempre foi historicamente os jovens, grupos etários onde a incidência de contaminação da Aids era maior, novos estudos demonstram uma mudança nesse padrão, com um aumento da doença entre populações com mais de 50 anos. “A epidemia de Aids é complexa. Pessoas com mais de 50 ou 60 anos também se encontram susceptíveis ao vírus, principalmente no contexto mundial da globalização e de acesso aos insumos. Temos observado que as campanhas e ações muitas vezes não focam de forma clara essa população”, diz o especialista.

O médico explica que pessoas mais velhas muitas vezes não se consideram dentro do “grupo de risco” de infecção. “As mensagens das campanhas são muito mais focadas nas populações mais jovens. O HIV não escolhe idade, é importante que as pessoas tenham essa visão e é importante que os países também lembrem de focar nesta abordagem quando fizerem seus planos”, diz o médico.

Epidemia x tratamento

As mortes causadas pelo HIV caíram pela metade desde o aparecimento do vírus. No entanto, a Aids continua sendo considerada uma grande epidemia, segundo Marco Vitória. “Os números de novos casos continuam aumentando, apesar da enorme contribuição que o tratamento tem trazido em termos de mortalidade. Mas ainda existe um grande número de pessoas sem acesso a esse tratamento, cerca de 50% das pessoas com HIV. É importante que haja ampliação, mas sobretudo melhoria dos tratamentos oferecidos”, diz.

Estimativas mostram que, atualmente, cerca de 1/3 das pessoas contaminadas desconhecem que sejam soropositivas. “Por isso, é importante a aplicação de novas modalidades de testes, e a ampliação desta estratégia, focada em populações-chave, para obter um diagnóstico mais fácil e mais precoce”, conclui o especialista.


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