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Verme predador gigante invade jardins franceses e prejudica solos

Verme predador gigante invade jardins franceses e prejudica solos
 
"Bipalium kewense" é uma das espécies gigantes encontradas na França. Pierre Gros/Fuente: https://peerj.com/articles/4672/#fig-3

Um verme pouco conhecido até pouco tempo atrás tem se firmado como um invasor nos jardins franceses, onde se alimenta de minhocas e, desta forma, empobrece o solo. O animal, oficialmente um platelminto, assusta pela aparência estranha: pode ter até 40 centímetros de comprimento e tem a cabeça achatada. Ele também chama a atenção pelas diferentes cores, como azul turquesa, amarelo ou marrom com listras escuras.

A proliferação do visitante indesejado, em especial na região sudoeste da França, foi descrita em um artigo na plataforma científica PeerJ, intitulado “Um verme gigante na minha casa!”.

“Os platelmintos são predadores que comem os animais do solo, principalmente as minhocas, que são muito importantes para a fertilidade e a ecologia do solo. Ou seja, eles são uma ameaça. De qual amplitude? Ainda não sabemos. Para isso, precisaremos de pesquisas ecológicas mais aprofundadas”, explica Jean-Lou Justice, zoólogo do Museu Nacional de História Natural, de Paris, e coordenador da pesquisa.  

multilineatum, headplate: a faixa dorsal mediana escura começa com o terço anterior da placa de cabeça e tem uma forma pronunciada de oblanceolato característico. Pierre Gros

O estudo começou há cinco anos, quando um fotógrafo ficou intrigado com a presença do animal nas suas plantas e publicou uma imagem dele em um site especializado em insetos. A foto circulou no meio, até que chegou ao conhecimento de Justine. O cientista acionou uma rede internacional de especialistas, que o ajudaram a esclarecer que, na realidade, a França estava sendo “invadida” por pelo menos 10 espécies de platelmintos, provavelmente devido ao transporte de plantas de uma região ou país para outros.

Veneno mata as presas

“Os vermes achatados, com cabeça em forma de martelo, são animais muito surpreendentes. Eles têm essa cabeça estranha, grande, na qual têm glândulas com substâncias tóxicas com as quais eles matam as presas”, relata o especialista. “No entanto, a boca deles fica no meio do corpo, na parte de baixo. Primeiro, ele mata a minhoca com o veneno e depois a come com essa boca, que não fica na cabeça.”

Não à toa, a francesa Genneviève Rolland, habituée de jardinagem na cidade de Pau, ficou assustada ao se deparar com o bicho pela primeira vez. “Vi esse verme com essa forma esquisita, que eu jamais tinha visto na vida e eu faço jardinagem há muitos anos. Eu o vi no meu jardim pela primeira vez em 2014 e, desde o ano passado, tenho recolhido regularmente esse bicho, que tem o corpo totalmente encharcado de um material viscoso”, conta Rolland.

Diversibipalium sp. 'Blue' de Mayotte, Oceano Índico Laurent Charles

Importância das minhocas

O verme não apresenta riscos para humanos, mas a substância pegajosa que envolve o seu corpo pode causar dores de barriga em animais de estimação que estiverem em contato com ele. O principal perigo é para o próprio jardim, já que as minhocas desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento das plantas.

“As minhocas são ‘arquitetas’ do solo, ou seja, fazem buracos, buscam substâncias nutritivas que estão lá no fundo e trazem para a superfície, e levam outras substâncias de cima para baixo. É por isso que um solo com minhocas é permeável e mais fértil”, afirma Justine.

O cientista conta que existem platelmintos na América Latina há muitos anos. Mas, ao contrário da Europa, em países como Brasil e Argentina, as minhocas já se adaptaram à presença desses intrusos na terra.

“É certo que nos países onde platelmintos e minhocas convivem há milhões de anos, uns se adaptaram aos outros. As minhocas se tornaram capazes de resistir ao verme: ao perceberem o ataque, elas fogem o mais rapidamente possível”, ressalta o pesquisador. “Mas quando as minhocas europeias são atacadas por um platelminto, elas não percebem que precisam sair.”

Este tipo de verme também é muito comum na Ásia de onde vêm uma grande quantidade de plantas importadas para a Europa.

 

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