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Ciências

Apesar de Trump, Casa Branca alerta sobre mudanças climáticas

media Manifestantes da marcha pelo clima, em Bonn, não pouparam críticas a Donald Trump. Cidade alemã abrigará conferência da ONU sobre as mudanças climáticas. REUTERS/Wolfgang Rattay

Um alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas, feito pelo governo americano nesta sexta-feira (5), expôs as contradições sobre posição do presidente Donald Trump em relação ao tema. O relatório federal, conhecido como Quarta Avaliação Nacional sobre o Clima, é emitido a cada quatro anos e afirmou que as alterações do clima são causadas pela atividade humana e afetam a vida dos americanos – Trump acredita que o aquecimento global não passa de uma invenção, uma "piada criada pelos chineses".

Trata-se do primeiro documento divulgado durante o mandato do republicano, que nomeou o defensor dos combustíveis fósseis Scott Pruitt ao comando da Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês). Ele escandalizou os cientistas no início do ano ao argumentar, em entrevista, que o dióxido de carbono (CO2) não é a principal causa da mudança climática.

O texto, copilado pela NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional), com contribuições da Nasa, do Departamento de Energia e de outras agências federais americanas, indica que, com base em "uma ampla pesquisa científica, revisada por colegas", a média global anual da temperatura do ar na superfície aumentou cerca de 1ºC nos últimos 115 anos (1901-2016). "Este período é agora o mais quente da História da civilização moderna", constata o relatório.

Depois do último relatório publicado em 2014, "emergiu uma evidência mais sólida do contínuo e rápido aquecimento de origem humana da atmosfera e oceanos", adverte o documento. "É extremamente possível que atividades humanas, especialmente emissões de gases de efeito estufa, sejam a causa do aquecimento observado desde meados do século XX", assinala, destacando que "não há uma explicação alternativa convincente".

Depois de examinar os dados sobre o clima de milhares de anos atrás, o relatório constata que "a média de temperaturas nas últimas décadas em grande parte do mundo foi muito mais alta e aumentou muito mais rápido do que em qualquer outro período nos últimos 1.700 anos, ou mais".

Marcha contra o aquecimento global

O relatório que contradiz a postura oficial americana sobre o assunto é publicado na véspera da 23ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 23), que acontecerá em Bonn (Alemanha), a partir de segunda-feira (6) até o dia 17 de novembro. Neste sábado (4), milhares de pessoas protestaram na cidade para pedir ações mais contundentes contra o aquecimento global, começando pelo final do uso do carvão como combustível.

Os delegados de cerca de 200 países se reunirão em Bonn pela primeira vez desde Trump retirou seu país do histórico Acordo de Paris sobre o clima. Sem a participação intensa dos Estados Unidos, o segundo maior poluidor do planeta, a meta global de redução de emissões de gases de efeito estufa parece cada vez mais difícil de cumprir.

Os cientistas apontam que o planeta vive um aquecimento de rapidez inédita. Três quartos das emissões de gases de efeito estufa são atribuídos à combustão de recursos fósseis: petróleo, gás e carvão. Este último continua sendo a principal fonte de produção de energia no mundo.

O Acordo de Paris foi adotado no final de 2015 e ratificado, até o momento, por 168 países. O tratado tem o objetivo de limitar o aquecimento do planeta a menos de 2ºC e a perseguir a meta de 1,5ºC, em relação aos níveis pré-revolução industrial.

Com informações da AFP

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