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Ciências

Temperatura pode subir 3,2°C até o fim do século, aponta relatório da ONU

media Um estudo divulgado pela ONU Meio Ambiente afirma que o acordo de Paris está em risco facebook.com/UNclimatechange

A batalha contra o aquecimento global está longe de acabar. Em relatório divulgado nesta terça-feira (31) a Organização das Nações Unidas aponta que as emissões de gases de efeito estufa em 2030 serão 30% superiores ao necessário para conter o aumento da temperatura, que pode ser de 3° a 3,2° Celsius até o fim do século.

A previsão é de que em 2030 as emissões anuais de gases que provocam o efeito estufa fiquem entre 53 e 55,5 bilhões de toneladas de CO2, ultrapassando o limite de 42 bilhões estabelecido durante o acordo da COP-21, que pretendia manter o aumento da temperatura em 2° Celsius até o fim do século.

O acordo de Paris foi recentemente ameaçado pelo presidente norte-americano Donald Trump, que declarou uma possível retirada dos Estados Unidos caso “condições mais favoráveis” a Washington não sejam propostas até 2020.

O diretor executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, permanece otimista já que, segundo ele, o setor privado norte-americano é o verdadeiro responsável pelo cumprimento do acordo e não a Casa Branca. “O trem está nos bons trilhos, mas precisamos acelerá-lo”, afirmou.

Efeitos na saúde pública

A declaração pessimista da ONU veio acompanhada de um outro relatório da revista médica britânica The Lancet, publicado nesta terça-feira (31) descrevendo os impactos das mudanças climáticas que já são observados na saúde dos indivíduos.

Lançado em 2015, o documento foi elaborado por 24 organismos de pesquisa e organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Os autores do relatório lembram que os efeitos da mudança climática devem ser observados em relação com a demografia, a pobreza e a poluição.

Entre os sintomas que podem ser observados, estão a perda da produtividade, expansão das doenças transmitidas por picadas de mosquitos, estresse causado pela sensação de extremo calor, piora em casos de insuficiência cardíaca pré-existente e risco de aumento de insuficiência renal ligada à desidratação.

O relatório estima que o número de pessoas afetadas pelas ondas de calor aumentou em cerca de 125 milhões entre 2000 e 2016, chegando ao recorde de 175 milhões de indivíduos expostos aos sintomas em 2015. A revista afirma que os problemas ligados ao aquecimento global e a eventos climáticos são “claros há anos e os impactos atuais são ainda piores que acreditávamos”.

Medidas urgentes

Uma conferência da ONU com os Ministros do Meio Ambiente dos Estados Membros está prevista para o mês que vem em Bonn, na Alemanha, para discutir as próximas etapas do acordo de Paris. Para a diretora da Greenpeace Internacional, Jennifer Morgan, fenômenos meteorológicos como furacões, terremotos, inundações ou secas severas devem ser cada vez mais frequentes caso uma atitude mais drástica não seja tomada.

“Os dirigentes devem utilizar o acordo de Paris para tomar medidas mais importantes e cobrar dos outros um respeito maior das promessas. Nós podemos limitar o aumento da temperatura a 1,5°C se nós cooperarmos”, argumentou.

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