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Ciências

Greenpeace pede ampliação de proibição de pesticidas nocivos a abelhas

media As abelhas estão ameaças por pesticidas Jean-Louis Le Moigne

A Europa deveria expandir a proibição dos pesticidas prejudiciais às abelhas, afirmou o grupo ambientalista Greenpeace nesta quinta-feira (12), ao divulgar um relatório que alerta para os riscos generalizados à agricultura e ao meio ambiente.

O relatório, encomendado a biólogos da Universidade de Sussex, concluiu que a ameaça que os pesticidas neonicotinoides (sintetizados com base na nicotina) representam para as abelhas era maior do que o estabelecido em 2013, quando a União Europeia adotou uma proibição parcial.

"Novas pesquisas reforçam os argumentos para a imposição de uma moratória ao uso de três neonicotinoides: clotianidina, imidacloprida e tiametoxam", concluiu a análise. "Tornou-se evidente que eles representam riscos significativos para muitos organismos, não apenas abelhas."

Uma revisão global de novembro passado apontou que cerca de 1,4 bilhão de empregos e 3/4 de todas as colheitas dependem de polinizadores. Há cerca de 20 mil espécies de abelhas responsáveis por fertilizar mais de 90% dos 107 principais cultivos do mundo.

No ano passado, as Nações Unidas disseram que 40% dos polinizadores invertebrados - particularmente abelhas e borboletas - correm risco de extinção mundial.

Colapso das colônias

As populações foram atingidas na Europa, América do Norte e outros lugares por um misterioso fenômeno chamado "distúrbio do colapso das colônias". A praga foi atribuída a ácaros, um vírus ou fungo, pesticidas ou uma combinação de fatores.

"Esses insetos essenciais estão em sérias dificuldades", escreveu o Greenpeace em um prefácio ao relatório, que envolveu a análise de centenas de estudos científicos publicados desde 2013.

"O caso de que os neonicotinoides estão contribuindo para a diminuição das abelhas selvagens e agravando problemas de saúde das abelhas é mais forte do que era quando a proibição parcial da UE foi adotada", disse o coautor Dave Goulson.

"Os neonicotinoides também parecem estar ligados a declínios nas populações de borboletas, pássaros e insetos aquáticos. Dada a evidência de danos ambientais tão generalizados, parece prudente estender o alcance da atual restrição europeia."

Sistema nervoso

Os neonicotinoides são pesticidas sintetizados em laboratório com base na estrutura química da nicotina.
Eles foram introduzidos em meados da década de 1990 como um substituto menos nocivo a antigos tipos de pesticida e hoje são amplamente utilizados. São absorvidos pela planta em crescimento e atacam o sistema nervoso dos insetos.

Estudos apontaram que os neonicotinoides são responsáveis por prejudicar a reprodução e a procura de alimentos das abelhas, ao diminuir a qualidade do esperma e embaralhar a memória e as funções de navegação. Eles também têm sido associados a uma menor resistência a doenças.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) declarou em 2013 que os neonicotinoides representavam um "risco inaceitável" para as abelhas e determinou uma moratória temporária, que excluía o uso desses pesticidas em cevada e trigo, assim como em jardins e espaços públicos.

Uma nova avaliação dos neonicotinoides pela EFSA está prevista para ser concluída no segundo semestre deste ano.

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