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Após décadas de pesquisas, anticoncepcional masculino não chega às farmácias

Após décadas de pesquisas, anticoncepcional masculino não chega às farmácias
 
Injeção de hormônios desenvolvida pela OMS bloqueia a produção da testosterona. REUTERS/File

Quase 60 anos após o início da comercialização das pílulas anticoncepcionais para mulheres, as pesquisas sobre os métodos de contracepção masculina evoluem, mas sem que produtos destinados aos homens cheguem às farmácias. Um recente estudo renovou as esperanças das mulheres que desejam dividir a tarefa da contracepção com seus parceiros, mas ele foi cancelado devido a efeitos colaterais em alguns voluntários.

Uma injeção de hormônios progestativos desenvolvida pela Sociedade Internacional de Endocrinologia e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) conseguiu bloquear, temporariamente, a produção da testosterona responsável pela espermatogênese. O teste foi realizado em 320 homens em bom estado de saúde, originários de sete países, com idade entre 18 a 45 anos. O anticoncepcional masculino - uma mistura de progesterona e testosterona - se mostrou eficaz em 96% dos casos e 82% dos homens que participaram da pesquisa se disseram prontos para utilizar a injeção.

No entanto, 20 voluntários não foram até o final do experimento devido aos efeitos colaterais, tais como aumento de acne, aumento da libido e variações do humor. Resultado: o estudo foi temporariamente cancelado e gerou muita polêmica.

"As mulheres ficaram muito ofendidas, afinal, anticoncepcionais femininos têm muitos efeitos colaterais e continuam sendo utilizados no mundo inteiro. Já que as mulheres sofrem as consequências de algumas pílulas por que o homem não poderia sofrer também?", questiona o chefe do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia, Eduardo Bertero.

Vasalgel deve chegar ao mercado em breve

Bertero lembra que os métodos contraceptivos para homens existentes hoje são o preservativo e a vasectomia, segundo ele, cada vez mais popular no Brasil. Um outro método, que deve chegar ao mercado nos próximos anos, é o Vasalgel, da Fundação Parsemus.

"Esse produto nada mais é do que um polímero que é injetado pelo médico através da pele do escroto, dentro dos tubos deferentes, que levam os espermatozóides dos testículos até a uretra. Esse produto obstruiria os tubos deferentes nos dois testículos de tal maneira que os espermatozóides não conseguiriam sair, morreriam nos testículos e seriam reabsorvidos pelo organismo do homem", explica o urologista.

Segundo Bertero, o Vasalgel pode ser considerado uma "vasectomia temporária", sem cortar os tubos deferentes, e o homem fica infértil durante um determinado período. O especialista ressalta que esse produto se desintegraria depois de doze meses, sendo necessário, depois deste período, um novo implante do polímero. Caso o homem queira, o método é reversível antes mesmo do período previsto para se desintegrar.

"Por exemplo, quatro meses após a utilização do Vasalgel, o paciente e sua esposa decidiram que querem engravidar. O médico apenas injetará bicarbonato de sódio nos tubos deferentes para dissolver o produto e o homem voltará a ser fértil."

Pesquisas na França

Dois pesquisadores lideram os estudos sobre contracepção masculina na França. No Hospital Universitário de Toulouse, no sudoeste do país, a equipe do andrologista Roger Mieusset desenvolve um método que consiste no leve aumento da temperatura dos testículos, barrando a produção de espermatozóides.

Outro grande especialista na questão, Jean-Claude Soufir, do Hospital Cochin, em Paris, desenvolveu um tratamento hormonal em formato de pílula e um gel. “Contrariamente ao método da OMS, ele permite manter uma taxa normal de hormônios masculinos no sangue. A própria OMS trata essa pesquisa como uma perspectiva de um tratamento para o futuro”, disse em entrevista à RFI.

Soufir elogia o tratamento desenvolvido pela OMS e espera que a pesquisa tenha continuidade. “Certamente é um progresso. Os resultados são eficazes, mas houve efeitos secundários, como já acontecia com anticoncepcionais para as mulheres, o que gerou um escândalo público. Acredito que a OMS vai propor melhoras a esse tratamento nos meses ou anos que virão”, prevê.

Desigualdade entre mulheres e homens

Para a psicóloga e sexóloga Keila Oliveira, a resistência da sociedade em relação a métodos contraceptivos masculinos se deve à desigualdade em questões em relação à reprodução. Segundo ela, no Brasil, até mesmo as políticas públicas sobre natalidade e contracepção são voltadas essencialmente às mulheres.

"Está subtendido que essas questões são de responsabilidade da mulher. Acredito que se mudássemos essa visão, mostrando que isso diz respeito ao casal e incluir os homens, essa situação evoluiria. Atualmente, não temos políticas de saúde públicas que trate do casal, por exemplo, e que responsabilize o casal pela natalidade, pela fecundidade. Infelizmente, os homens ainda não são convocados a ter esse nível de implicação", observa.

Além disso, a psicóloga enfatiza que há uma resistência cultural em relação à responsabilização de ambos os sexos em questões relacionada à reprodução. "Não está claro que tanto o homem quanto a mulher desempenham papéis importantes e igualitários em um casal. É preciso que haja uma mudança de paradigma na sociedade para que o homem também possa tomar hormônios para evitar a gravidez, por exemplo. Isso pode mudar o comportamento deles em relação até mesmo à paternidade. Hoje em dia, a mãe aceita muito mais rápido a maternidade e se responsabiliza automaticamente pelos filhos - comportamento que não observamos em todos os pais", conclui.


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