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Ciências

Sonda Rosetta corta comunicação e encerra trabalho do robô espacial Philae

media Rosetta ©cnes

A sonda europeia Rosetta cortou nesta quarta-feira (27) a comunicação com o robô espacial Philae pousado no cometa 67P/Churiumov-Guerasimenko. Depois de dez anos de viagem como passageiro da sonda Rosetta, Philae havia conseguido um marco histórico ao pousar na superfície do cometa "Churi", em 12 de novembro de 2014, e, desde então, “trabalhava” de modo irregular enviando informações.

"Hoje, a comunicação com o Philae foi cortada", declarou Andreas Schuetz, porta-voz da Agência Espacial Alemã (DLR). "É o fim de uma missão fascinante e bem sucedida", acrescentou. "Mantínhamos esta escuta de maneira um pouco simbólica", explicou Philippe Gaudon, da agência espacial francesa CNES.

Mas a sonda Rosetta, que escolta o cometa 67P/Churiumov-Guerasimenko (conhecido como "Churi"), se afasta cada vez mais do sol e seus painéis recebem cada vez menos luz. É preciso poupar energia para que a Rosetta possa continuar fazendo funcionar dez instrumentos, explicou o especialista.

O pouso acabou sendo abrupto demais, o que fez o robô ricochetear duas vezes, antes de ficar imobilizado sobre o cometa de formato irregular e quatro quilômetros de diâmetro. Devido ao imprevisto, Philae ficou pousado em uma zona de relevo acidentado e escassa exposição à luz solar. Após gastar o que restava das suas baterias enviando o resultado de 60 horas de observação para a Rosetta, o robô 'adormeceu'.

Em junho de 2015, despertou de novo inesperadamente e manteve vários contatos com a Terra, mas não voltou a dar sinais de vida desde 9 de julho do ano passado. Em fevereiro, as equipes responsáveis pelo robô decidiram não enviar mais ordens, mas continuavam na escuta por precaução.

Encontro final

A Rosetta continuou orbitando em volta do cometa e se comunicando com a Terra. Está previsto que a sonda pouse no 67P antes de concluir sua missão, em 30 de setembro. Ao se aproximar, Rosetta registrará imagens de alta resolução em tempo real e fará medições científicas "totalmente inéditas", segundo a ESA.

Os cientistas na Terra terão a oportunidade de recolher dados que só podem ser oferecidos por um encontro próximo. Uma vez em contato com a superfície do cometa, as comunicações e as operações da Rosetta serão interrompidas.

O pouso vai colocar um fim a uma aventura sem precedentes na história da conquista espacial, que ofereceu dados capazes de aumentar nossos conhecimentos sobre o aparecimento da vida na Terra.

Projetada há mais de 20 anos, a missão histórica busca compreender melhor o Sistema Solar desde seu nascimento, já que se considera que os cometas são vestígios da sua matéria primitiva.

A Rosetta registrou imagens inéditas do cometa, analisou gases que saem da sua superfície e examinou seu interior. Com a missão, aprendemos que os cometas contêm moléculas orgânicas, que são a base da vida.

Graças ao Philae, a sonda pôs em evidência 16 compostos diferentes do cometa divididos em seis classes de moléculas orgânicas, ou seja, com átomos de carbono. Quatro delas foram detectadas pela primeira vez nesse tipo de corpo celeste, como a acetona.

O interior do 67P se revelou, por outro lado, mais homogêneo do que se pensava, como a Rosetta pôde comprovar com o seu radar Consert, graças ao qual foi determinada pela primeira vez a estrutura interna do núcleo de um cometa.

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