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Novo tratamento alivia a Síndrome do estresse pós-traumático

Novo tratamento alivia a Síndrome do estresse pós-traumático
 
Atentados na França: o trauma psicológico dos sobreviventes. REUTERS/Christian Hartmann

Um atentado a bomba pode matar dezenas de pessoas. Centenas poderão ficar feridas. E milhares carregarão consigo o trauma daquele momento. Pesadelos, ataques de pânico, mudanças na rotina diária para evitar uma certa esquina, não pegar mais o metrô, jamais passar por aquela estação de trem. O nome disso é Transtorno de estresse pós-traumático.

 

Sofrido não só por vítimas de atentados, mas também soldados que voltam da guerra ou sobreviventes de qualquer forma de choque ou violência.

Com o atentado de 13 de novembro de 2015 em Paris, quando 130 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas, um médico canadense se ofereceu para tratar o trauma psicológico dos sobreviventes. Ele propunha um método inovador que vem sendo testado com sucesso, no Canadá, nos últimos dez anos.

Uma terapia que mistura sessões de psicoterapia com um medicamento para fazer com que a lembrança da violência provoque menos reações emocionais no paciente.

Paris MEM

O projeto se chama Paris MEM (no sentido de memória), e já está dando resultado com 12 vítimas dos atentados de Paris. O professor Alain Brunet, da Universidade McGill de Montreal, nos explica a sua inovação:

"O tratamento que nós desenvolvemos funciona, principalmente, sobre a força emocional das lembranças. A medida que o paciente se submete à terapia, a força emocional daquela lembrança específica é reduzida. Assim, o sentimento de medo, de horror, de frio diminuem, fazendo com que a lembrança se torne apenas uma imagem inócua. Ao invés de ser uma má lembrança, que ainda nos afeta emocionalmente, ela passa a ser algo lembrado, mas completamente inofensivo".

Memória de curto e longo prazo

A técnica parte de uma recente descoberta científica no campo da neuroplasticidade. A memória de curta duração se consolida entre duas e cinco horas depois do evento a ser lembrado. Para que o evento se torne um trauma, com reações emocionais negativas, ele precisa ser relembrado e reconsolidado no cérebro. O que o professor Brunet propõe, é fazer com que o paciente se lembre do evento, bloqueando imediatamente a sua reconsolidação com a aplicação de uma droga.

"Com o bloqueio de reconsolidação, obtivemos o melhor de dois mundos", explica o prof. Brunet. "Trata-se de uma psicoterapia assistida por um medicamento. Então, digo que temos o melhor de dois mundos porque receitamos um pouco de medicamento – apenas seis doses – com somente seis semanas de psicoterapia".

Remédio antigo, técnica nova

Tradicionalmente a Síndrome do estresse pós-traumático é tratada com sessões de psicoterapia, que podem levar meses ou anos para dar resultado, ou com drogas antidepressivas, que precisam ser tomadas por um ano ou mais, muitas vezes com fortes efeitos colaterais. Na terapia proposta pelo professor Brunet, o medicamento em si não tem nada de novo. Trata-se de Propranolol, um betabloqueador receitado há 50 anos para pacientes com problemas cardíacos ou enxaqueca.

"O Propranolol, que é o agente que utilizamos para bloquear a consolidação, tem efeitos colaterais que são bem conhecidos, mas que são efeitos de curta duração e completamente reversíveis, como uma leve sedação. Sabemos também que o Propranolol não deve ser tomado por diabéticos, asmáticos e cardíacos. Senão, trata-se de um medicamento bastante inofensivo, bem conhecido da comunidade médica, já sendo receitado há décadas".

O brilho eterno de uma mente sem lembranças

Mas como saber em que parte da memória o remédio estaria operando? Não haveria o perigo de provocar uma espécie de amnésia não desejada no paciente? O professor Brunet nos responde:

Note que não estamos falando em “apagar a memória”. De modo algum! Seja positiva ou negativa a lembrança não é apagada. O que nós fazemos é, simplesmente, torná-la menos emocional. Agora, claro, toda a memória emocional lembrada sob o efeito do Propranolol poderia estar sujeita ao mesmo mecanismo. Por outro lado, há milhares de pessoas que tomam Propranolol quatro vezes por dia durante anos, e eu jamais soube de um caso em que o paciente tenha procurado o seu médico porque as suas lembranças estavam se apagando.

Atentado de Nice

Quatorze hospitais da região parisiense já estão aplicando o tratamento canadense. Com o atentado de 14 de julho em Nice, centenas de pessoas poderão ser tratadas numa nova célula de atendimento no sul da França.

Nós queremos demonstrar que esta terapia é, provavelmente, o melhor tratamento de primeira linha, uma vez que ele reúne as vantagens da psicoterapia e da farmacoterapia. Assim, poderemos deixar de lado os tratamentos psicoterapêuticos mais longos ou o consumo diário de medicamentos, que tem muitas desvantagens. Esperamos, assim, demonstrar, com o projeto Paris MEM, que esta é a melhor opção de tratamento para o futuro.
 


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