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Novos estudos europeus podem levar a vacina contra a zika

Novos estudos europeus podem levar a vacina contra a zika
 
O pesquisador tcheco Daniel Růžek Divulgação

Duas descobertas recentes realizadas por institutos de pesquisa europeus da República Tcheca, da França e do Reino Unido aumentaram a esperança de se encontrar uma vacina ou um remédio contra a zika. A doença, cujo país mais afetado é o Brasil, com quase 100 mil casos, se espalha pelos cinco continentes.

Pesquisadores do Imperial College de Londres, em colaboração com o Instituto Pasteur e o Centro Nacional para a Pesquisa Científica, ambos em Paris, anunciaram na semana passada que encontraram anticorpos que são capazes de neutralizar o vírus da zika, uma descoberta que abre caminho para uma vacina.

Em entrevista à RFI, a pesquisadora Juthathip Mongkolsapaya, da faculdade de medicina do Imperial College, explicou como chegaram a essa descoberta: " Isolamos os anticorpos de pessoas contaminadas com dengue. Então nós estudamos como esses mesmos anticorpos agem contra o vírus da zika, pois a dengue e a zika são infecções muito parecidas. E nós descobrimos que esses anticorpos podem neutralizar o vírus da zika. Foi esse o resultado da nossa pesquisa".

Juthathip, que é professora de imunologia, conta que ela e o pesquisador Gavin Screaton, também da universidade britânica, começaram a se interessar pela zika depois do surto no Brasil e na América Latina.

"Nós iniciamos pesquisando sobre a dengue. Quando houve o surto de zika, a doença chamou nossa atenção. Porque o vírus existe há muito tempo, mas, como não estava causando nenhum problema, não havia tanto interesse em pesquisá-lo. Porém, com a epidemia, estamos nos esforçando para encontrar uma solução. Achamos que essa descoberta pode nos levar à criação de uma vacina preventiva contra a zika e contra a dengue. Essa vacina beneficiaria os habitantes de países afetados por ambas as doenças, como o Brasil", disse.

Na pesquisa, eles selecionaram dois anticorpos, chamados EDE, capazes de deter a dengue e descobriram que um deles era particularmente eficaz para neutralizar o vírus da zika. A partir daí, com diversas técnicas, os pesquisadores conseguiram reconstituir o local preciso onde esse anticorpo se fixa sobre a proteína que envolve o vírus e descobriram que o local de fixação era o mesmo do vírus da dengue. Essa descoberta permite trabalhar na produção de uma vacina de proteção contra todos os vírus do grupo.

Relação entre zika e encefalite transmitida por carrapato

Outro estudo recente vem do Instituto de Parasitologia da Academia Tcheca de Ciências, na cidade de České Budějovice. Um grupo de cientistas, liderado por Daniel Růžek , descobriu um grupo de substâncias que são eficazes contra o vírus da zika.

"Começamos dois anos atrás estudando o vírus da encefalite transmitida por carrapatos. Nós testamos algumas substâncias que poderiam ser eficazes contra o vírus. Havia um grupo de cerca de 14 substâncias. Começamos a testar e tivemos a sorte de identificar cinco substâncias que eram altamente ativas contra esse vírus. Depois desses testes realizados em células, fizemos alguns experimentos usando ratos de laboratório, que confirmaram a eficácia das substâncias. Depois disso, o surto da zika começou, e os vírus da zika e da encefalite transmitida por carrapatos são muito semelhantes. Então trabalhamos com a hipótese de que essas substâncias também seriam eficazes contra a zika, e descobrimos que a hipótese era verdadeira", explicou Růžek, em entrevista à RFI.

As substâncias a que o pesquisador se refere são chamadas "análogos de nucleosídeos", que agem inibindo a síntese de RNA (ácido ribonucleico). Růžek, que é professor e doutor em microbiologia, explica como elas agem contra o vírus da zika: "Elas impedem a replicação do vírus, agindo sobre uma das enzimas que ele usa. Então essas substâncias bloqueiam a replicação do vírus na célula hospedeira."

O pesquisador diz que a descoberta pode levar à criação de um medicamento. "Estamos apenas no início. Conhecemos quais substâncias que podem ser eficazes e o 'calcanhar de Aquiles' do vírus. Há ainda um longo caminho para um remédio. Pode levar 5, 10 ou 15 anos. Ninguém sabe ainda. Mas esses resultados são muito importantes para o próximo passo."

Há mais perguntas que respostas

A epidemia de zika está associada a graves anomalias no desenvolvimento cerebral, principalmente à microcefalia. Até o momento não existe nenhuma vacina contra a zika, ao contrário da dengue, que já dispõe de uma vacina desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi.

O diretor da organização britânica Wellcome Trust, Jeremy Farrar, disse que ainda há mais perguntas que respostas sobre a zika. A entidade financiou o estudo do Imperial College de Londres. Uma das questões que ainda não foram respondidas é por que o vírus da zika no sudeste asiático e na África, onde está presente há muito tempo, não se desenvolveu da mesma forma que na América do Sul.


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