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Ciências

Bebidas muito quentes podem provocar câncer de esôfago

media Café muito quente pode causar câncer de esôfago Reuters

Beber café, chá ou mate muito quente é um hábito que pode causar câncer de esôfago, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS), que fez questão de explicar que, a temperaturas "normais", essas bebidas não possuem efeito cancerígeno.

O consumo de bebidas a 65°C ou mais provavelmente é cancerígeno em humanos, anunciou nesta quarta-feira (15) a Agência Internacional de Investigação do Câncer (AIIC), em Lyon (França), cujos trabalhos são referências no assunto.

"Esses resultados sugerem que o consumo de bebida muito quente é possivelmente responsável pelo câncer de esôfago e que a temperatura, e não a bebida em si, é o fator envolvido", declarou Christopher Wild, diretor da AIIC após uma reavaliação do risco cancerígeno do café, da erva-mate e das bebidas quentes consumidas.

"O tabagismo e o consumo de álcool são as principais causas de câncer no esôfago, especialmente em muitos países ricos", ressalta Wild. No entanto, a maioria dos cânceres de esôfago ocorrem em certas regiões da Ásia, da América do Sul e da África Oriental, onde o consumo de bebidas muito quentes é frequente.

China, Irã e Turquia

Na China, Irã, Turquia e em países da América do Sul, onde o chá ou o mate são bebidos tradicionalmente muito quentes (cerca de 70°C), o risco de câncer de esôfago aumenta com a temperatura em que a bebida é consumida, de acordo com estudos.

"As temperaturas normais de consumo para café e chá em países da Europa e América do Norte são bem abaixo. Café e chá são muitas vezes bebidos abaixo dos 60°C", indica Dana Loomis, epidemiologista da AIIC.

O câncer de esôfago é o oitavo mais comum no mundo e uma das principais causas de morte por câncer, com cerca de 400 mil mortes em 2012 (5% de todas as mortes por câncer).

No entanto, não há indicações sobre a proporção de casos de câncer de esôfago ligados ao consumo de bebidas muito quentes, observou a agência do câncer da OMS.

Trabalho de reavaliação

A pesquisa visa estabelecer um risco de causar câncer, mas não o nível de risco, adverte a agência da OMS. Esse trabalho de reavaliação, cujo resumo foi publicado na revista "Lancet Oncology", foi conduzido por um grupo de especialistas internacionais "sem conflitos de interesses", assegura Kurt Straif da AIIC.

A decisão de classificar as bebidas quentes entre as substâncias "provavelmente cancerígenas" é baseada em "dados limitados", caso contrário seriam classificadas junto com os agentes cancerígenos comprovados.

O café, uma das bebidas mais consumidas no mundo, não é mais considerada como "possivelmente cancerígena", após a reavaliação de especialistas com base em "mais de 1.000 estudos em humanos e animais".

Café possivelmente cancerígeno

Em 1991, o café foi declarado como "possivelmente cancerígeno" pela AIIC. Ele era suspeito de estar envolvido a casos de câncer na bexiga, com base em dados limitados que, sobretudo, não levavam suficientemente em conta o tabagismo, um grande risco para esse tipo de câncer, ou a exposição ocupacional a produtos tóxico.

Desde então, uma série de estudos realizados na Europa, Estados Unidos e Japão, não forneceram evidências de uma associação entre o câncer de próstata e café.

Além disso, muitos estudos epidemiológicos têm demonstrado que o consumo de café não tem efeito cancerígeno para os cânceres de pâncreas, mama e próstata, e uma redução do risco foi observada para os cânceres do fígado e do endométrio (revestimento do útero), segundo a AIIC.

Os dados sobre mais de outros 20 tipos de cânceres não são conclusivos. Quanto ao mate (folhas de chá), popular na América Latina, mas também no Oriente Médio, desde que bebido frio ou não muito quente, não é considerado uma substância cancerígena.

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