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Ciências

“Pânico” sobre o zika acabou, nota cientista em colóquio sobre o vírus

media Pesquisadora trabalha no desenvolvimento de um repelente contra mosquitos transmissor do zika. REUTERS/Ivan Alvarado

 Passada a emergência de uma reação ao pico de contaminações pelo vírus da zika, os especialistas de pelo menos 25 laboratórios e institutos de pesquisa se concentram em encontrar uma resposta adequada à questão. Cerca de 600 cientistas de mais de 40 países se encontraram em Paris para analisar os próximos passos do combate ao vírus, em um colóquio do respeitado Instituto Pasteur.

Eles constatam que a epidemia foi uma surpresa para todos, inclusive a comunidade científica. “Agora, o pânico acabou e a ciência pôde se organizar. Conhecemos quais são as causalidades, os processos para definir quais são os atributos das vacinas e dos testes desejáveis, protocolos padronizados para fazer estudos epidemiológicos etc. Acho que, depois de um momento de emergência e de uma corrida muito grande, a ciência está sendo feita de uma maneira mais estruturada”, avalia a pesquisadora Laura Rodrigues, da London School of Hygiene & Tropical Medicine.

“Há 10 meses, ninguém se importava com isso. Estávamos preocupados com o chikungunya, que debilita muito mais a pessoa. Mas o advento da microcefalia mudou completamente a situação”, completa o microbiologista Marcos Freire, vice-diretor de desenvolvimento tecnológico do Fioccruz.

Prevenção do zika nas meninas

Os especialistas não têm dúvidas: a vacina contra o vírus da zika vai ser desenvolvida e estará no mercado em no mínimo três anos. Até lá, será preciso manter as medidas de prevenção, como o uso de repelentes e o combate ao mosquito Aedes aegypti que, comprovadamente, transmite o vírus.

Ainda não há consenso, entretanto, sobre qual deve ser o público-alvo da futura vacina – se a população em geral ou apenas as meninas pré-adolescentes, que receberiam a dose antes de iniciarem a fase reprodutiva. Cientistas franceses e americanos confirmaram que o vírus pode ser a origem de má-formações do bebê, como a microcefalia fetal. Essa ameaça é o maior risco do zika em humanos.

Outras complicações

O epidemiologista Arnaud Fontanet, diretor da Unidade de Epidemiologia das Doenças Emergentes do Instituto Pasteur, é co-autor da primeira pesquisa que verificou essa relação. O estudo mostrou que o período mais vulnerável para má-formações do feto ocorre no primeiro trimestre da gravidez de mulheres infectadas pelo vírus e, entre essas, o risco de microcefalia é de 1%. A pesquisa foi realizada na Polinésia Francesa.

“O importante hoje é verificar outras complicações neurológicas ligadas ao vírus da zika durante a gravidez, além da microcefalia. Suspeitamos que as crianças de mães infectadas possam desenvolver problemas auditivos e de visão, crises de epilepsia, ou seja, diferentes aspectos neurológicos que podem ser graves”, afirmou Fontanet, ressaltando que a busca pela vacina contra o zika é uma prioridade do centro de pesquisas francês.

Queda de infecções é provável no inverno

Outro ponto que permanece incerto é sobre o comportamento do vírus durante o inverno na América Latina, a área geográfica onde o zika atacou com mais força. A tendência é de que, com a queda das temperaturas, o mosquito se prolifere menos e seja menos agressivo – portanto, que o número de infecções despenque.

O problema é que os cientistas ainda não confirmaram que o Aedes aegypti seja o único vetor possível do vírus. Existe fortes suspeitas de que outro mosquito, o Aedes albopictus, também seja transmissor, e trata-se de uma espécie que suporta temperaturas mais baixas. “A dengue tem uma oscilação sazonal no mosquito, que teoricamente se repetiria com a zika. Mas o zika é novo, tem muita coisa que a gente não sabe, inclusive sobre os vetores”, comenta Rodrigues, professora de Epidemiologia de Doenças Infecciosas que desenvolve estudos na América Latina.

Zika no macaco é mau sinal

Um outro fator é ainda mais preocupante. Nesta semana, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) anunciaram a descoberta de que o zika foi encontrado em macacos no Ceará. “Nunca estaremos livres da febre amarela no Brasil porque o vírus está no macaco. Se o vírus está num reservatório animal e esse animal é o macaco, e se realmente os micos Callithrix, que estão nas cidades, estão infectados com o zika, ele veio para ficar”, adverte Freire, pesquisador de vacinas há 34 anos. “Mesmo que se tenha uma redução da incidência do número de casos confirmados, não estaremos livres de uma mulher grávida ser infectada pelo vírus e ocorrer a microcefalia.”

Quanto aos Jogos Olímpicos que ocorrerão no Rio de Janeiro em agosto, os especialistas confirmam que, à exceção das gestantes e das mulheres que planejam engravidar, não há razões para cancelar a viagem ao Brasil. Eles também consideram “alta” a probabilidade de novas epidemias de zika ocorrerem no país, já no próximo verão.

“Não se sabe qual foi a proporção de pessoas infectadas. Nas ilhas do Pacífico, como a Polinésia Francesa, o surto foi de uma vez só porque a proporção infectada foi muito alta, chegou perto de 80%. Mas, no Brasil, não se sabe”, explica Rodrigues. “Se foi alta, não terá grandes epidemias, mas se foi 20%, vão ocorrer novas.”

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