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Agrotóxicos ameaçam abelhas de extinção

Agrotóxicos ameaçam abelhas de extinção
 
Um apicultor no sul da França mostra abelhas mortas. Junho de 2014. AFP PHOTO / RAYMOND ROIG

Se as abelhas desaparecem da face da terra, a humanidade só teria mais quatro anos de existência. Esta citação, que é, aliás, falsamente atribuída a Einstein, poderá ser verificada em breve. Apicultores e especialistas do mundo inteiro chamam a atenção dos governos contra o uso de pesticidas que matam as abelhas, os neunicotinoides.

 

Colaboração de Tatiana Marotta, especial para a RFI Brasil

O professor Lionel Segui Gonçalves, especialista em genética de abelhas e coordenador da Campanha Nacional de Proteção às Abelhas, lançou o alerta há três anos. A campanha internacional também incluiu o lançamento do aplicativo BEE ALERT, que permite contabilizar as ocorrências de mortes de abelhas no mundo inteiro. Trata-se de uma plataforma para que apicultores, meliponicultores e a comunidade científica registrem ocorrências de desaparecimento ou mortes de abelhas em seus apiários. Os dados são utilizados para estudos científicos.

Os resultados obtidos em 20 meses de coleta mostram que existem aproximadamente 15.000 colônias de abelhas eliminadas, das quais 90% são as abelhas do mel e 10% são abelhas sem ferrão. "Isso corresponde a, no mínimo, 9 milhões de abelhas mortas, 90% por ação de pesticidas”, diz o professor Gonçalves, titular aposentado da USP e professor visitante da UFERSA de Mossoró -RN. 

Um declínio preocupante porque, de acordo com o professor, 70% da alimentação do homem depende da polinização feita pelas abelhas. O aplicativo tem contabilizado ocorrências de mortes de abelhas em 13 estados brasileiros; Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Amazonas, Paraíba, Sergipe e Ceará.

O colapso das colmeias

De acordo com o professor Gonçalves, as abelhas são eliminadas por várias causas e, entre elas, os pesticidas neunicotinoides. Os agrotóxicos “agem no sistema nervoso das abelhas, principalmente no cérebro, fazendo com que elas tenham um problema de comunicação e se desorientem, esquecendo o local das colmeias”. O resultado desse efeito é que os insetos acabam desaparecendo e morrendo.

Um processo que é chamado de “CDD” ou colony collapse disorder (desordem de colapso de colônia). Segundo Breno Freitas, professor da Universidade Federal do Ceará, com o efeito dos neunicotinoides, as abelhas podem passar a não reconhecer mais a rainha e matá-la. “As larvas alimentadas com produtos contaminados podem chegar a causar uma série de mortalidades e até o nascimento de abelhas com deficiência”, comenta Breno Freitas.

O gerenciamento do risco

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, IBAMA, tem focado o seu trabalho na reavaliação dos neonicotinoides para poder mudar as restrições sobre o seu uso no Brasil.

“Para que um agrotóxico seja comercializado no Brasil, ele precisa ser avaliado por três áreas: na de agricultura, saúde e pela área ambiental”, explica Márcio Rosa Rodrigues de Freitas, diretor de qualidade Ambiental.

O IBAMA tomou uma série de medidas de prevenção quanto ao uso dos neunicotinoides e estabeleceu restrições em relação ao período de florada e a distância da bordadeira das culturas com aplicação de agrotóxicos. “O objetivo tem sido reduzir as derivas dos agrotóxicos e nossa preocupação é avaliar o risco para abelhas e estabelecer medidas de gerenciamento desse risco”, explica Márcio Rosa Rodrigues de Freitas.

“Nós fizemos isso preventivamente. Estamos conduzindo os estudos e após sua conclusão veremos se será necessário o banimento do produto ou simplesmente uma restrição maior do uso”, disse. Quanto às alternativas aos neunicotinoides, caso sejam provados nefastos para as abelhas, “temos solicitado o ministério da agricultura para que estude alternativas que possam cumprir o mesmo papel dos neunicotinoides (...) e que possam causar menores impactos nas abelhas.” A previsão é uma conclusão do ministério até o final de 2016.
 


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