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Ciências

Médicos denunciam preços exorbitantes de remédios para câncer

media Adolescente recebe tratamento contra o câncer no Instituto de Hematologia e Oncologia de Lyon, na França. JEAN-PHILIPPE KSIAZEK / AFP

Mais de 100 médicos franceses publicaram nesta terça-feira (15) um apelo por um limite do aumento dos preços dos remédios contra o câncer. Os profissionais indicam que a elevação dos valores nos últimos anos ameaça o sistema público de saúde e prejudica o acesso aos medicamentos mais modernos para combater a doença.

“Diversas inovações terapêuticas surgem no tratamento do câncer. No entanto, o preço inicialmente crescente e agora exorbitante dessas inovações podem comprometer o acesso a essas esperanças de sucesso”, escrevem Dominique Maraninchi, ex-presidente do Instituto Nacional do Câncer, e Jean-Paul Vernant, autor de um relatório com recomendações para o governo francês sobre a luta contra a doença.

O manifesto contou com o apoio de 110 oncologistas e foi publicado no jornal Le Figaro. Eles pedem a instauração de um “preço justo” pelos medicamentos.

Em 2014, o Gleevec, que trata a leucemia mieloide crônica, estava custando entre € 27 mil e € 40 mil, conforme a dose prescrita, segundo a associação francesa Liga contra o Câncer. O valor pago pelo Keytruda, uma das moléculas mais modernas para enfrentar melanomas, é ainda maior, estimado em mais de € 100 mil para cada paciente tratado.

O doutor Vernant indica que, em 2004, os gastos com medicamentos contra o câncer consumiam US$ 24 bilhões do orçamento da saúde da França. O valor quase dobrou em 2008 e voltou a duplicar em 2014, quando atingiu a cifra de US$ 80 bilhões. “Sem contar a inflação, esses medicamentos vão representar um gasto de US$ 155 bilhões em 2020”, adverte o médico.

Moléculas específicas para grupos cada vez menores de pacientes

Os laboratórios argumentam que os aumentos se devem às especificidades cada vez maiores dos medicamentos. Antigamente, um único remédio era usado para tratar dezenas de milhares de pacientes. Mas, hoje, com os avanços científicos, as moléculas se direcionam a grupos determinados de pacientes – que, às vezes, podem ser de apenas algumas dezenas.

“É lógico que a indústria peça um preço colossal só porque um medicamento é eficaz? O normal é, justamente, um medicamento funcionar!”, indigna-se Vernant. “É uma incedência. Nenhuma indústria tem o direito de se valer disso.”

 

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