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“Vida da minha filha não vale mais ou menos que a da Ágatha, mas sua morte teve um mentor”, diz mãe de Marielle

“Vida da minha filha não vale mais ou menos que a da Ágatha, mas sua morte teve um mentor”, diz mãe de Marielle Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco RFI

A família de Marielle Franco está de passagem por Paris, onde participou da cerimônia de inauguração de um jardim em homenagem à vereadora morta no Rio de Janeiro em março de 2018. Em entrevista à RFI, sua mãe, Marinete da Silva, fala do legado da filha e de sua busca pelos mandantes do assassinato da defensora dos direitos humanos e seu motorista, Anderson Gomes.

Marinete da Silva visita a França pela primeira vez e reconhece que gostaria de estar na cidade em outras circunstâncias. Ela está na capital francesa com o marido Antônio Francisco da Silva e a neta, Luyara Franco, filha de Marielle. “É muito difícil”, desabafa antes de começar a gravação.

No entanto, logo que a entrevista começa, ela respira fundo e retoma o discurso que martela desde março de 2018. “Além da minha dor, que é uma coisa constante, o meu único compromisso é de saber o porquê. O que motivou alguém a fazer aquela barbaridade”, lança Marinete. “Aquilo foi um ataque à democracia. Um recado concreto à esquerda nesse Brasil que estamos vivendo hoje, com um governo extremamente de direita. É fundamental que eu me mantenha de pé para saber quem foram os mandantes”.

Mobilização internacional para pressionar o Brasil

A mãe de Marielle reconhece a importância de manifestações internacionais, como a inauguração do jardim em Paris ou os protestos nas ruas de várias cidades pelo mundo. “Essa mobilização tem sido uma forma de pressionar as autoridades brasileiras. Todos esses espaços que têm sido dados para a família são primordiais para que esse caso não fique só na estatística de mais uma morte no Rio de Janeiro”.

Questionada sobre as críticas dos que contestam as homenagens feitas à vereadora, Marinete é categórica: “As pessoas não tinham dimensão do trabalho que Marielle fazia. Ela ficou dez anos coordenando uma comissão de direitos humanos, o que não é fácil dentro da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). E foi assassinada quando estava servindo o Brasil”, defende. Além disso, insiste, “há uma diferença com relação aos crimes que temos assistido. No caso da Marielle, aquilo foi preparado. Teve um mentor”.

A mãe da vereadora compara o assassinato com fatos recentes, como a morte da menina Ágatha, atingida por uma bala quando voltava para casa no Complexo do Alemão. O caso é destaque na imprensa internacional e reportagens eram transmitidas em emissoras de televisão em vários idiomas no momento em que Marinete chegava na RFI para a entrevista. “A vida da minha filha não vale mais ou menos do que a da Ágatha ou de qualquer outro jovem que tem sofrido desse genocídio total que está acontecendo [no Brasil]. Mas a morte de Marielle tinha uma motivação. Era uma ameaça e também uma forma deles atingirem diretamente a sociedade do Rio de Janeiro e a democracia brasileira”, finaliza.


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