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Brasil

Em Washington, Ernesto Araújo alerta para questão da soberania da Amazônia

media O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo. Rafael Beltrami/Ministério das Relações Exteriores

Em sua visita a Washignton, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse, nesta sexta-feira (13), que, em âmbito global, já se pode ver “sinais de questionamento de soberania” da Amazônia. A declaração foi feita depois de uma reunião bilateral com Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA.

Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

“No caso do Brasil, especificamente no caso da Amazônia, [há questionamentos] de que talvez não sejamos capazes de lidar com os desafios ambientais. Isso não é verdade e nossos amigos aqui nos EUA sabem disso”, disse Araújo. O ministro também afirmou que o Brasil quer contar com os EUA no esforço para criar desenvolvimento para a região da Amazônia. “Precisamos de novas e produtivas iniciativas para criar empregos e renda para as pessoas na Amazônia e é por isso que a parceria com os EUA é muito importante para nós”, disse.

Apesar de nenhum grande anúncio ter sido feito depois da reunião bilateral, Pompeo afirmou que os dois países entraram em uma “profunda nova era” nas suas relações bilaterais, elogiando o posicionamento do Brasil em questões de política externa. Particularmente em relação à crise na Venezuela, ao lembrar que o Brasil foi uma das primeiras nações a reconhecer o governo do “líder legítimo”, Juan Guaidó. O secretário de Estado também mencionou a generosidade brasileira ao acolher cerca de 180 mil venezuelanos que escaparam do regime de Maduro, além de lembrar que os esforços brasileiros davam aos EUA “grande confiança para novas cooperações”.

“Vamos aumentar nosso relacionamento comercial que já responde por mais de US$ 100 bilhões por ano. Neste mês, as equipes brasileira e americana vão ir adiante com o que foi negociado entre nossos presidentes em março. Daremos início a um fundo de investimento de US$ 100 milhões, com impacto de 11 anos, para a conservação da biodiversidade na Amazônia, e o projeto contará com a liderança do setor privado”, disse Pompeo.

O secretário de Estado disse que a cooperação entre os dois países em questões de segurança também havia ficado mais robusta sob a liderança de Bolsonaro, lembrando que, este ano, Trump havia destacado o papel brasileiro de “grande aliado não membro da OTAN”. O apoio brasileiro no que diz respeito ao posicionamento americano quanto ao Oriente Médio foi reconhecido por Pompeo. O secretário de Estado disse que as duas nações estão também trabalhando juntas para “confrontar a crise manufaturada pelo ‘homem’ na Venezuela, deter tiranos em Cuba e na Nicarágua”.

Mesma visão de mundo

Na quarta-feira, o chanceler brasileiro já havia abordado o tema Venezuela em Washington. No mesmo dia, a Organização dos Estados Americanos (OEA) teve o apoio do Brasil ao aprovar a convocação de uma reunião dos signatários do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) para ativar o pacto da era da Guerra Fria, que prevê defesa mútua entre os países da região.

Segundo o ministro, o fato de o Tiar ter sido ativado não se traduz em uma intervenção contra Nicolás Maduro. “Não significa ação militar, de forma nenhuma, não é isso que queremos, o Tiar não é simplesmente um acordo de ação militar, é um acordo para ação coletiva diante de ameaças à segurança, como claramente é. O chanceler da Colômbia, se não me engano, fez uma apresentação muito clara nesse sentido, com o fato de o regime Maduro estar abrigando terroristas”, disse Araújo. O chanceler brasileiro concordou com a importância de expandir a cooperação Brasil-EUA, destacando que isso transcende vantagens econômicas, pois as duas nações compartilham uma visão de mundo.

“A política externa que [os EUA] estão tentando desenvolver no Brasil é baseada em princípios muito claros – o princípio de liberdade e democracia, o princípio de soberania, o princípio da defesa dos nossos valores e o princípio da abertura econômica em uma economia de mercado para atingir o que queremos e o que os brasileiros que elegeram Bolsonaro querem: um Brasil mais presente no mundo, que é capaz de aumentar sua economia para mudar um sistema que, no passado, só nos deu estagnação e corrupção. Nosso relacionamento com os EUA é uma grande parte para que esses objetivos e princípios de política externa e engajamento externo sejam satisfeitos”, disse Araújo.

Apesar da agenda cheia na visita à capital americana, que incluiu, além da reunião com o secretário de Estado americano, encontros sobre comércio com o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, e o representante de comércio dos EUA, Robert Lightizer, e uma reunião com o senador republicano da Flórida, Rick Scott, o chanceler brasileiro conseguiu encaixar na noite de quarta um jantar com Steve Bannon, que foi estrategista da campanha de Donald Trump em 2016 e é um dos principais mentores da ala nacionalista radical nos EUA.

Desde que foi dispensado pela Casa Branca, em 2017, Bannon é tratado com ostracismo por parte da equipe do presidente americano, que não vê mais utilidade para uma figura tão controversa. O jantar, que não foi incluído na agenda oficial de Araújo, nem divulgado à imprensa, aconteceu na Embaixada do Brasil e teve como principal tópico o pronunciamento que Jair Bolsonaro fará na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 24 de setembro. Antes de encerrar a passagem por Washington, nesta sexta-feira, Araújo concederá uma coletiva à imprensa, na sede do National Press Club.

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