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Estados Unidos hesitam em firmar acordo comercial com Brasil

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Estados Unidos hesitam em firmar acordo comercial com Brasil
 
Jornalista do Washington Post considerou discurso do ministro Ernesto Araújo na Heritage Foundation, em Washington, "ideológico e incoerente". REUTERS/Adriano Machado

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, prossegue em visita aos Estados Unidos (EUA) e tem encontro previsto nesta sexta-feira (13) com o secretário de Estado Mike Pompeo. O chanceler espera que a reunião com Pompeo sirva para definir uma data para uma visita de Donald Trump ao Brasil ainda este ano.

Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

Os principais objetivos da visita do chanceler brasileiro a Washington são chegar a um acordo comercial com os Estados Unidos e também marcar presença, mostrando que o governo de Jair Bolsonaro está em sintonia com o presidente Donald Trump. Araújo tem tratado de questões relacionadas com comércio, liberdade religiosa e a crise na Venezuela. Ele já se reuniu com o secretário do Comércio, Wilbur Ross, e com o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, além de investidores e o embaixador para Liberdade Religiosa, Samuel Brownback.

Na quinta-feira (12), depois de uma reunião com Robert Lighthizer, o representante de comércio americano, Araújo disse que os EUA ainda não sabiam exatamente que tipo de acordo queriam firmar com o Brasil. Trump estaria em dúvida se seria mais vantajoso ter um acerto bilateral com o Brasil ou algo que abrangesse todo o Mercosul. Na opção pelo Mercosul, o tratado assinado recentemente com a União Europeia não pode representar obstáculos. Enquanto essa decisão não for tomada, algumas medidas para facilitar o comércio entre os dois países devem já ser aplicadas, sem envolver mudanças tarifárias.

Uma das possibilidades é contar com um sistema que torne mais fácil a entrada de mercadorias de empresas já aprovadas pelos dois países. Isso está previsto para acontecer mais para o final do ano, quando o governo brasileiro deve atender a uma das demandas dos EUA, implementando uma cota para a importação de trigo americano.

Moderação na disputa comercial entre EUA e China

O chanceler espera que o encontro com Pompeo, nesta sexta, sirva para definir uma data para a visita de Trump ao Brasil. Em novembro, a cúpula do grupo Brics será realizada no Brasil e terá a presença de Xi Jinping, o presidente chinês, dando uma especial importância ao papel do Brasil na disputa entre os EUA e a China.

O Brasil quer aproveitar ao máximo seu poder de barganha neste momento de tensão entre Washington e Pequim, já que faz parte desse "triângulo pouco amoroso". Durante a campanha presidencial, Bolsonaro fez um discurso bastante antagonista à China – e semelhante ao de Trump –, acusando o gigante asiático de estar “comprando o Brasil” e, inclusive, visitando Taiwan, um gesto que pôde ser interpretado como um insulto a Pequim. Desde que Bolsonaro foi eleito, entretanto, a postura do governo brasileiro mudou.

Esta semana, em Washington, o ministro Araújo disse que não escolhia um lado na disputa entre os EUA e a China, e entendia as razões para o atrito entre os dois países. Essa atitude diplomática não é surpreendente. Afinal, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, com um comércio bilateral de US$ 100 bilhões. Os chineses compram cerca de um quarto das exportações brasileiras. No entanto, em algum momento, o Brasil terá de ter uma estratégia mais definida. Eventualmente, os EUA vão querer que os investimentos chineses em infraestrutura brasileira sejam contidos, especialmente nos portos, pois podem dar uma grande vantagem estratégica aos chineses na América Latina.

Por enquanto, o relacionamento entre o Brasil e os EUA parece como de início de namoro, com os dois lados só tecendo elogios um ao outro. Mas, a qualquer momento, isso pode mudar, especialmente com variáveis como um presidente americano de temperamento imprevisível e uma disputa pela Casa Branca em 2020.

Os agricultores americanos – especialmente os produtores de soja – de estados importantes para o colégio eleitoral, como Iowa, Illinois e Minnesota, certamente ficariam bastante satisfeitos se Trump resolvesse jogar duro no comércio com o Brasil. Por isso, é importante que Araújo consiga logo firmar um acordo comercial com os EUA e confirmar uma visita de Trump ao Brasil, a fim de consolidar a aliança entre as duas maiores democracias do hemisfério.

Araújo na TV americana

A imprensa americana tem dado pouco destaque à visita de Araújo. Mas isso pode mudar nesta sexta. O chanceler irá participar de um dos programas americanos de maior público em horário nobre entre os canais de notícias de TV a cabo, o Tucker Carlson Tonight. O âncora do programa manifesta-se frequentemente a favor de Jair Bolsonaro e deve ser simpático ao ministro brasileiro.

Por outro lado, um jornalista do diário Washington Post, Ishaan Tharoor, assistiu à palestra do ministro realizada na quarta-feira (11), na Heritage Foundation, um dos principais think tanks conservadores de Washington, e tuitou que o discurso do diplomata era ideológico e incoerente, mostrando uma certa “transferência”, ao acusar a esquerda de ser extremamente ideológica. O jornalista do Post também observou que não havia uma conexão entre a direita americana e o que “quer que seja que Araújo representa”, pois os representantes da direita americana jamais fariam um discurso sobre política externa que incluísse rebater ativistas de esquerda e referências a intelectuais comunistas do passado.

Na palestra, o ministro disse que a esquerda se valia da "ideologia" da mudança climática e da justiça social para impor uma globalização esquerdista. Ele também traçou um paralelo entre os eleitores de Bolsonaro, os britânicos a favor do Brexit e os americanos que votaram em Trump, dizendo que todos formavam um grupo insurgente contra a imposição da esquerda global.


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