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Para grupo Brasileiras de Paris, misoginia de Bolsonaro não começou com Brigitte Macron, mas com Dilma

Para grupo Brasileiras de Paris, misoginia de Bolsonaro não começou com Brigitte Macron, mas com Dilma
 
A tradutora Bruna Beffart. RFI

Lançada na manhã desta segunda-feira (26), a hashtag #DesculpaBrigitte subiu rapidamente no Twitter, após a notícia de que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro teria reagido rindo a um insulto no Facebook à primeira-dama francesa, um post que ele chegou a compatilhar em suas redes sociais. O movimento, reforçado nesta terça-feira (27) pelo lançamento de dois abaixo-assinados de brasileiras que moram na França, emocionou Brigitte Macron. Um desses documentos, que já recebeu cerca de 2.000 assinaturas, veio do grupo Facebook "Brasileiras de Paris". A tradutora gaúcha Bruna Beffart, que faz parte desta comunidade e acompanhou a iniciativa desde o seu surgimento no grupo, comenta as motivações que levaram as brasileiras a prestarem solidariedade à primeira-dama da França.

*Para ver a entrevista na íntegra, clique no vídeo abaixo

A tradutora Bruna Beffart conta que o grupo, que reúne cerca de 5.000 brasileiras no Facebook, já havia se posicionado politicamente há tempos contra "a misoginia do Bolsonaro", "bastante evidente". 

"Nossa primeira ideia na verdade não era nem pedir desculpas para a Brigitte, porque não fizemos nada de errado. Inclusive, somos prejudicadas enquanto mulheres por essa postura. Nossa intenção foi demonstrar solidariedade e empatia, porque todas nós, como mulheres, já passamos por uma situação onde recebemos comentários não-solicitados sobre nossa aparência", diz. "Isso acontece raramente com os homens, ou quase nunca acontece, nem na esfera privada, nem na pública", lembra a brasileira.

"Essa foi uma oportunidade de chamar a atenção para a misoginia de Bolsonaro. Sabemos muito bem que a Brigitte Macron não foi a primeira mulher atacada por ele. Lembro especialmente da nossa ex-presidente Dilma Rousseff [quando Bolsonaro fez saudação ao torturador de Dilma, Brilhante Ustra, durante o voto do impeachment] e da [deputada pelo PT do Rio Grande do Sul] Maria do Rosário", afirma Bruna.

"São dois casos emblemáticos da nossa política que, isoladamente, já seriam, na minha opinião, suficientes para cassar o mandato do Bolsonaro quando era deputado", avalia. "Nossa ex-presidente foi vítima de um golpe com muita misoginia. É muito complicado imaginar que essa pessoa [Bolsonaro] possa se eleger presidente com votos femininos", diz Beffart.

Quanto aos insultos do presidente brasileiro à primeira-dama francesa, ela própria decidiu agradecer, em português, o apoio de mulheres e homens brasileiros à hashtag #DesculpaBrigitte: "Muito obrigada!", declarou ela, em frente às câmeras de televisão. Clique no vídeo abaixo para ver a entrevista completa com Bruna Beffart, nos estúdios da RFI Brasil.


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