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Morte de Marielle continua pairando na vida política do Brasil, diz revista francesa

Morte de Marielle continua pairando na vida política do Brasil, diz revista francesa
 
Com o título "Marielle Franco, mártir e mistério do Rio", reportagem questiona as motivações do assassinato da vereadora. Fotomontagem / L'Obs

A revista francesa L’Obs traz em sua edição desta semana uma reportagem de quatro páginas sobre a morte da vereadora brasileira Marielle Franco. No texto, o enviado especial da publicação ao Rio de Janeiro relata os detalhes do crime e o mistério sobre os mandantes do assassinato.

A reportagem começa abordando os últimos momentos da vida da vereadora e militante, os detalhes sobre o assassinato e a investigação que teve início em março de 2018. L’Obs lembra uma série de aspectos que chamam a atenção na história. Como um morador de rua, testemunha do crime, que foi ignorado pela polícia e só teve seu relato levado em conta por causa de uma jornalista do jornal O Globo que o entrevistou, antes de desaparecer. Ou ainda o fato de que as câmeras de vigilância da rua onde Marielle foi assassinada estavam desligadas no momento de sua morte.

A reportagem explica que dois homens já foram presos, acusados de serem os autores do crime. No entanto, o principal foco do texto é “a questão que assombra o Brasil”: quem mandou matar Mareille? “Para responder a essa pergunta, primeiro é preciso entender quem era Marielle”, continua a revista, que traça um perfil da vereadora.

“A imprensa destaca o fato dela ser negra, lésbica e de esquerda. Mas essa mulher excepcional não era apenas isso”, escreve o enviado especial Philippe Boulet-Gercourt.

L’Obs conta que a vereadora começou sua carreira ao lado de Marcelo Freixo, deputado estadual que chegou a se exilar no exterior temendo ameaças, após ter presidido uma comissão parlamentar que desembocou na prisão de 255 pessoas. Há quem pense, explica a reportagem, que os mandantes da morte da vereadora queriam atingir indiretamente Freixo. Mas há aqueles para quem o assassinato é ligado ao que Marielle representava, com seu discurso em defesa das mulheres, dos negros e da comunidade LGBT.

Milícias da extrema direita e família de Bolsonaro

“O mais perturbador nessa história é a onipresença das milícias da extrema direita em todas as esferas da investigação e de suas ligações com a família do presidente brasileiro Jair Bolsonaro”, ressalta a revista. O texto lembra que Ronnie Lessa, apontado como o assassino da vereadora, vivia no mesmo condomínio que o atual chefe de Estado e que uma de suas filhas chegou a ter um envolvimento amoroso com Carlos Bolsonaro.

Marcelo Freixo, entrevistado pela revista, pondera essa hipótese. Segundo ele, seria um exagero estabelecer uma relação entre Bolsonaro e o crime apenas porque o atual chefe de Estado era vizinho do assassino. “Cabe à Polícia Federal investigar todas as suspeitas”, declarou o deputado à L’Obs. Enquanto isso, “a morte de Marielle continua pairando no ar político poluído do Rio de Janeiro e do Brasil”, conclui a reportagem.


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