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“A sociedade diz todos os dias como uma mulher negra tem que se comportar”, afirma cantora Tássia Reis, em turnê na Europa

“A sociedade diz todos os dias como uma mulher negra tem que se comportar”, afirma cantora Tássia Reis, em turnê na Europa
 
A cantora Tássia Reis instagram @tassiares

A cantora e compositora brasileira Tássia Reis está em turnê pela Europa e se apresenta nesta sexta-feira (26) no festival Les Escales, na cidade de Saint-Nazaire, no noroeste da França: o evento que tem como tema esse ano o Brasil e a cidade de São Paulo. Em entrevista à RFI, a rapper fala sobre seu terceiro álbum, “Próspera”, que traz faixas autobiográficas, como “Preta D+”.

Rythm & blues, jazz, rap, trap, samba, afropunk… a música de Tássia Reis transita por diversos estilos e a própria cantora se classifica como “uma mistura”. “Todos esses ritmos e sonoridades fazem parte da minha construção e fica difícil escolher um só para me definir. Eu acredito que sou uma mistura de tudo isso e gosto de definir meu trabalho como ‘o som da Tássia’”, diz.  

Um trabalho que é autobiográfico, baseado nas experiências da artista. Contar a sua vida para o público, aliás, é um dos aspectos favoritos de seu trabalho, revela a rapper.

“Como eu escrevo todas as músicas, o assunto que eu mais gosto de falar é sobre a vida. Faço uma autoanálise dos meus sentimentos e pensamentos. Também sobre como as pessoas reagem e refletem sobre suas próprias vidas”, afirma.

Preta demais

Vocês me disseram que não poderiam me contratar
Porque minha aparência divergia do padrão
(Que padrão?)
Que eu era até legal
Mas meu cabelo era crespo demais,
Talvez alisar seria uma solução

Que eu tinha que me enxergar
Porque toda moça preta demais
Preta demais sabe que o seu destino é limpar chão

“Preta D+”, uma das faixas do novo álbum de Tássia Reis, denuncia o racismo que a cantora vivencia em seu cotidiano de mulher negra no Brasil. O objetivo, segundo ela, é quebrar paradigmas.

“Preta D+ é sobre minha vivência e, especialmente, sobre a sociedade que diz todos os dias sobre como uma mulher negra tem que se comportar, o que ela tem que fazer, o que ela tem que usar. Ou seja, os limites que a sociedade acaba nos impondo”, afirma.

No entanto, Tássia Reis acredita que, com luta e engajamento, a situação pode ser revertida. “É difícil e complicado viver e sobreviver na sociedade atual. Mas há sim possibilidades de existência. E nós, mulheres pretas, não devemos deixar que as pessoas ditem o que a gente tem que fazer”, afirma.

O próprio nome da faixa que dá nome ao álbum da artista, “Próspera”, trata de percursos que Tássia Reis se dispõe a trilhar para evoluir, apesar de todas as dificuldades.

“Sabemos que os caminhos não sempre fáceis e bons, mas são importantes para a nossa construção. Quando eu canto ‘better than ever’, significa que, apesar dos trancos e barrancos que eu tenho vivido, estou melhor do que nunca porque estou no meu melhor momento.”

Terminando sua turnê pela Europa, Tássia Reis volta para o Brasil, onde já tem um show agendando no Cine Joia, em São Paulo, no dia 9 de agosto.


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