Ouvir Baixar Podcast
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 23/10 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 23/10 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 23/10 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 22/10 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 22/10 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 22/10 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 22/10 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 22/10 09h36 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.

Metáfora do Brasil atual, peça de Koltès desembarca em São Paulo

Metáfora do Brasil atual, peça de Koltès desembarca em São Paulo
 
Cyril Descles diretor de teatro RFI

Com estreia prevista para o dia 6 de setembro em São Paulo, a montagem da peça Cais Oeste reúne atores brasileiros para contar uma das histórias mais marcantes do francês Bernard-Marie Koltès. A RFI conversou com o diretor Cyril Desclés, um especialista no trabalho do dramaturgo morto há 30 anos.

Para assistir à entrevista completa, clique no vídeo abaixo.

O texto, traduzido para o português por Carolina Gonzalez, aborda o encontro improvável de oito pessoas em torno de um galpão, às margens de um rio de uma grande cidade portuária.

“A peça começa com um empresário que desviou dinheiro e quer cometer suicídio para não ver a própria queda. Ele decide se matar em um bairro abandonado, onde vivem imigrantes e refugiados que querem se aproveitar da presença dele”, conta Desclés, diretor artístico da Companhia francesa l’Embarcadère. 

É uma história improvável de personagens que não teriam nenhum motivo para se encontrar. Um deles é esse homem que perdeu tudo, que está no seu carro de luxo com a assistente em frente ao galpão abandonado. A presença dele desperta inveja nos imigrantes sem documentos.

“É um choque de classes sociais. Tem essa pessoa muito rica, que chega com um Jaguar, com um isqueiro luxuoso, e ele tem inveja das pessoas que não têm nada, que apenas sobrevivem. Por isso me parece que essa peça tem muito a ver com o Brasil,” afirma Desclés, que diz ser um apaixonado pelo país latino-americano.

“É difícil de explicar porque, mas eu gosto desse país, onde estive pela primeira vez há mais de vinte anos e que tem uma energia que não existe na França”, diz.

Fracasso na primeira montagem

De acordo com alguns críticos, o texto é misterioso como um bom romance policial e apresenta uma visão do mundo no qual vivemos. Porém, a sua estréia, em 1986, não foi um sucesso.

“Prestou-se muita atenção ao cenário, mas não à essência do texto”, explica o diretor. “E Koltès ficou muito decepcionado. No ano seguinte, ele assistiu a um filme do Cacá Diegues, ‘Um Trem para as Estrelas’ e disse ‘é um Cais Oeste que deu certo’. Então, é uma peça que, apesar de ter sido escrita 35 anos atrás, parece muito forte metaforicamente para falar de hoje”, completa.

O autor de 'Cais Oeste' explora as diferenças entre classes sociais. Para o diretor da companhia, o assunto cabe muito bem no Brasil atual, um país desigual, com uma sociedade profundamente miscigenada e repleto de tensões sociais.

“O projeto foi lançado em 2015 e levamos quatro anos para viabilizar essa produção. Não foi de propósito, mas agora faz muito mais sentido montar esse espetáculo no Brasil por causa da situação política do país e todo esse processo que levou até a eleição do Bolsonaro”, afirma Desclés. “Tem um personagem que é um ex-capitão do Exército que elogia as armas de fogo”, conta.

"A corrupção no Brasil não é nova, mas esse assunto se tornou mais comum nos últimos três anos, com a Operação Lava Jato. Quando eu falo de um homem corrupto que desviou dinheiro, todo mundo reconhece”, conclui.


Sobre o mesmo assunto

  • Festival/ Avignon

    Festival de Avignon 2019: o teatro se inspira no passado europeu para questionar o futuro do continente

    Saiba mais

  • Blackface: Mnouchkine encabeça abaixo-assinado contra censura “integrista” a teatro na França

    Saiba mais

  • Mostra Internacional de Teatro de SP

    Diretor suíço Milo Rau discute pedofilia e homofobia na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo

    Saiba mais

  • RFI CONVIDA

    Diretora de teatro brasileira mostra na França os horrores da guerra pelo olhar de crianças

    Saiba mais

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. ...
  5. seguinte >
  6. último >
Programas
 
O tempo de conexão expirou.