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Brasil

Manifestações demonstram fraqueza de Bolsonaro e acentuam isolamento, dizem analistas

media Manifestações de apoio a Jair Bolsonaro levaram pessoas às ruas de todas as capitais brasileiras, como em Porto Alegre. (26/05/2019) REUTERS/Diego Vara

O presidente Jair Bolsonaro tentou emplacar a marca de manifestações “espontâneas” em apoio ao seu governo e a agenda de reformas, nos atos que ocorreram neste domingo (26), em todos os Estados do Brasil e no Distrito Federal. Porém, ao estimular os protestos com menos de cinco meses de mandato, o ex-militar evidenciou que se encontra em posição de fraqueza e acentuou as dificuldades de dialogar com o Congresso – do qual depende para conseguir governar.

Além do momento inadequado – nunca, na história democrática do Brasil, um presidente precisou das ruas tão cedo para demonstrar força -, os protestos se mostraram menos vigorosos do que os realizados contra o governo, no início do mês.

A RFI conversou com dois cientistas políticos que estiveram nas manifestações contra e a favor de Bolsonaro, para analisá-las. Francisco Fonseca, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), constatou que a mobilização na capital paulista foi “claramente” inferior nos atos de apoio ao presidente. “Se ele queria uma manifestação de força, fracassou. Não significa que não tenha força nenhuma, mas ela vem diminuindo”, diz Fonseca. “É uma perda vigorosa e inédita de capital político, seja nas pesquisas de opinião, seja na divisão de seus apoiadores ou nas manifestações. Bolsonaro é como um meteoro: subiu de uma maneira exponencial, e está descendo com a mesma rapidez”, completa.

Duas categorias de manifestantes

Nas ruas, o que se viu foram duas categorias de manifestantes: de um lado, os antissistema e antipetistas, que defendiam as reformas econômicas e o combate à corrupção; de outro, a militância mais radical de Bolsonaro, que propagou mensagens de oposição ao Congresso - e, em especial, ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia – e ao Supremo Tribunal Federal, acusados de impedirem o presidente de governar.

O cientista político Anthony Pereira, diretor do Instituto Brasil King’s College de Londres, viu mensagens que insinuavam fechar o Congresso. “Uma parte da população acha que a troca de interesses, que é normal em qualquer democracia e não é equivalente à corrupção, é a mesma coisa que a corrupção. O problema é que essa ideia pode migrar para o autoritarismo: em nenhuma democracia o presidente comanda e executa, sem passar pelo Parlamento”, ressalta Pereira.

Desta forma, os dois analistas não têm dúvidas de que as manifestações, recheadas de provocações, poderão dificultar ainda mais a tarefa de Bolsonaro à frente do Executivo. Fonseca lembra que apoiadores de primeira linha, como major Olímpio, líder do governo no Senado, participaram das manifestações e fizeram críticas abertas ao Congresso.

“Desde que ele se elegeu, Bolsonaro não conseguiu adotar um discurso conciliador. Ele se mantém em campanha com o seu eleitorado, que é restrito e está diminuindo, como mostram as dissenções de ícones da direita como o MBL e Janaina Paschoal”, nota o professor da FGV. O isolamento, observa, se nota pelas pautas próprias apresentadas pelos parlamentares do chamado “centrão”, como projetos alternativos de reformas tributária e da previdência. Além disso, medidas decididas pelo Executivo, como o decreto de porte de armas, esbarram no Congresso.  

“A necessidade de negociar com os deputados e senadores não mudou. O desafio continua”, frisa Pereira. “A maioria deles quer um Executivo mais acessível e um melhor diálogo, capaz de criar coalizões. As manifestações aumentam as dúvidas”, indica.

Sucessão pelas costas

Nesse contexto, a fraca capacidade de decisão, as idas e vindas em medidas e as incertezas sobre quem comanda o governo - entre os militares, a própria família e o ideólogo Olavo de Carvalho – ampliam a sensação de que Bolsonaro pode não ir longe no cargo. “O sentimento generalizado no debate público e nos bastidores é de que o Bolsonaro não vai terminar o governo. A impressão é de que uma sucessão está correndo por trás dele”, afirma Fonseca, que destaca o aumento das discussões sobre semiparlamentarismo ou semipresidencialismo no país, desde a posse do ex-militar.

O pesquisador da FGV também nota que Rodrigo Maia e o vice-presidente, Hamilton Mourão, não escondem as pretensões ao Planalto. “Isso ocorre porque há um vazio de poder de Bolsonaro”, resume Fonseca.

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