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Brasil

Estados Unidos formalizam apoio de entrada do Brasil na OCDE

media O Brasil ganhou o apoio formal do governo Trump para entrar na OCDE. Foto: OCDE

A delegação americana na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) confirmou o apoio à entrada do Brasil na entidade. Desde que Brasília oficializou o pedido de ingresso, em 2017, Washington bloqueava os planos do país, por se opor à abertura da OCDE a novos membros.

Porém, a postura mudou depois de o presidente Donald Trump prometer a Jair Bolsonaro que os Estados Unidos aceitariam o Brasil. Em troca, o país se comprometeu a abrir mão do tratamento especial do qual se beneficiava na OMC (Organização Mundial do Comércio), enquanto economia em desenvolvimento.

O tema do ingresso de novos membros na OCDE foi discutido na reunião ministerial da entidade, que se encerrou nesta quinta-feira (23), em Paris. O governo brasileiro reconhece que havia dúvidas se o anúncio de Trump se traduziria em uma mudança formal da posição dos Estados Unidos na organização.

Segundo uma fonte brasileira que acompanha as negociações, os americanos disseram que apoiam o Brasil ao lado da Argentina, Romênia e Peru. “A posição está oficialmente modificada aqui na OCDE, dando cumprimento ao que foi combinado”, afirmou.

O integrante da comitiva indicou que a confirmação supera as expectativas da delegação e é considerada um avanço importante rumo à entrada do país, embora nenhum calendário tenha sido estipulado. A questão que se coloca agora é se os europeus aceitarão que o Brasil ingresse sem contrapartida, ou seja, sem que outro país europeu também seja aceito – provavelmente a Bulgária. Por enquanto, a ordem de ingresso é Argentina, Romênia e Brasil.

Segundo uma fonte brasileira que acompanha as negociações, os americanos disseram que apoiam o Brasil ao lado da Argentina, Romênia e Peru. “A posição está oficialmente modificada aqui na OCDE, dando cumprimento ao que foi combinado”, afirmou.

Mais tarde, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, comemorou o resultado. Ele veio a Paris para reforçar a candidatura do Brasil à organização. “Contávamos com isso desde a visita do presidente Bolsonaro aos EUA, disse. “Isso foi extremamente relevante e talvez era a principal peça que faltava para que possamos no mais breve prazo começar o processo de adesão. Em termos práticos essa confirmação do apoio americano foi o principal avanço aqui.”

“Não temos nenhum sinal negativo em relação ao Brasil, só positivos, tanto de membros europeus quanto de não europeus”, observou Araújo. “É claro que o caso dos europeus existe essa preocupação deles com essa questão do equilíbrio regional, que é um tema para ser discutido entre os membros atuais. Mas em relação ao caso específico do Brasil, só recolhemos palavras favoráveis.”

Elogios da OCDE

Se os europeus exigirem que mais um integrante da Europa seja admitido para contrabalancear a entrada do Brasil, a reação dos Estados Unidos é uma incógnita. As negociações nesse sentido foram iniciadas recentemente.

“A questão não é se apoiavam ou não. Creio que já superamos essa etapa. A questão é: como vamos traduzir esse desejo político em instruções específicas para avançar”, frisou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, ao ser questionado sobre o assunto. “O que aconteceu agora é que houve novos eventos, novas informações. E, agora, nós vamos começar a discutir de novo e tentar movimentar a agenda.”

Gurría voltou a elogiar os avanços do Brasil na preparação da sua candidatura, ao aderir ou se adaptar a uma série de instrumentos previstos pela organização. O governo brasileiro alega já ter incorporado 82% dos 248 itens legais exigidos pela OCDE, dos quais 73 foram validados pela instituição e o restante foi encaminhado para análise ou está prestes a ser enviado.

“Isso significa que quando você tem o início oficial [da adesão], eles vão cortar o processo por todos os esforços que já estão fazendo, afinal todos esses esforços terão de ser feitos de toda forma, ao longo do processo”, salientou Gurría.

 

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