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Brasil

Les Echos: investidores franceses estão decepcionados com início do governo Bolsonaro

media Na resenha da imprensa francesa desta terça-feira artigo do Les Echos diz que a economia brasileira enfrenta novos fracassos. Fotomontagem RFI

Les Echos publica nesta terça-feira (21) um artigo afirmando que a economia brasileira enfrenta novos fracassos. O correspondente do jornal em São Paulo ouviu investidores franceses que estão decepcionados com o recuo da atividade econômica no país.

O texto do correspondente, Thierry Ogier, começa dizendo que o governo Bolsonaro enfrenta dificuldades para aprovar as prometidas reformas, a começar pela mais importante delas, a reforma da Previdência, provocando o recuo da atividade no primeiro trimestre de 2019.

A maior economia latino-americana voltou a andar de marcha ré? O jornal responde que esta questão não é tão absurda assim. 2019 prometia ser o ano das reformas e do restabelecimento da confiança. Após a eleição de Bolsonaro, os investidores esperavam um salto vigoroso da economia do país, o que não aconteceu.

O Banco Central estima que a atividade econômica recuou 0,7% nos primeiros três meses do ano. “Uma verdadeira ducha de água fria”, afirma Les Echos.

O economista chefe da filial do banco francês BNP Paribas de São Paulo, José Carlos Farias, entrevistado pelo jornal, garante que ninguém imaginava um recuo tão grande. Ele reconhece uma grande frustração, principalmente diante da estimativa do banco da queda do PIB nacional, que passa de 3% para apenas 0,8%, segundo os cálculos do BNP. Brasília também vai em breve corrigir as previsões oficiais de crescimento.

“Governo inexperiente e desorganizado”

“Ao invés de adotar o mais rápido possível as reformas liberais, o executivo brasileiro se atolou na lama do Congresso, sem conseguir consolidar sua maioria”, explica o artigo. A reforma da Previdência não será aprovada no primeiro semestre, como previsto. O sistema parlamentar é complexo, o governo inexperiente e um pouco desorganizado. Tudo isso alimenta o clima de incertezas, afirma o jornal.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, citado no texto, diz que “o país ainda deve demonstrar que leva a sério a disciplina orçamentária”. O texto cita ainda o ministro da economia, Paulo Guedes, que, “sem papas na língua, manifesta sua impaciência”. "Não adianta alimentar falsas esperanças. Como a economia poderia crescer se não fizemos nada, se não conseguimos aprovar nada no congresso", declarou Guedes, segundo Les Echos.

Menos de seis meses após a posse de Bolsonaro, a decepção é visível no rosto de alguns investidores, ainda mais que o clima de intrigas se instalou no Palácio do Planalto: "intrigas entre os ideólogos de extrema direita e os militares que se mostram mais pragmáticos", detalha Ogier.

O artigo no entanto termina com uma nota otimista. O Brasil continua tendo seus adeptos e os mais fervorosos garantem que o crescimento vai voltar." O entusiasmo do momento da eleição presidencial diminuiu, mas o Brasil muda muito rápido. Os dois últimos meses foram um pouco difíceis, mas continuo confiante no Brasil", salienta o presidente do grupo francês Saint-Gobain, Pierre-André de Chalendar nas páginas do Les Echos.

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