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Brasil

Filme de Karim Aïnouz critica Brasil conservador e arranca aplausos em Cannes

media O filme "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão" conta a história de duas irmãs separadas pelo destino e pelo conservadorismo ©Bruno Machado

O 72° Festival de Cinema de Cannes exibiu nesta segunda-feira (20) o filme brasileiro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, de Karim Aïnouz. Por trás da história de duas irmãs que se perdem de vista, o diretor cearense mostra o retrato de um Brasil conservador. A estreia foi recebida com muitos aplausos na Riviera Francesa.

Enviado especial a Cannes

“Minha mãe é a sombra do meu pai”. A frase de Eurídice, personagem interpretado por Carol Duarte no filme, representa o cerne da história contada por Karim Aïnouz a partir do livro homônimo de Martha Batalha.

A jovem Eurídice faz parte de uma família de imigrantes portugueses no Rio de Janeiro dos anos 1950 e, mesmo sendo a mais tímida da casa, tem sonhos que vão além das fronteiras do país. Para ela, a paixão pelo piano e a possível entrada no Conservatório de Viena aparecem como a escapatório de um destino já traçado pelo pai.

Já as ambições da irmã Guida, encarnada por Júlia Stockler, são outras: se casar com um marinheiro grego para se afastar desse mesmo pai, “que vive como se estivesse no século passado”, como diz a personagem. “Ela tenta romper com aquela estrutura fechada e conservadora. Vai realmente em busca de seus sonhos e desejos e sofre todas as represálias”, analisa a atriz em entrevista exclusiva à RFI pouco antes da projeção do filme em Cannes.

Artifício para falar de um retrocesso atual

Mas a história das duas personagens se separa logo no início da trama, quando elas começam a enfrentar, sozinhas, os obstáculos de uma sociedade claramente machista. “Tem sempre uma figura masculina que deixa essas mulheres invisíveis”, comenta Carol Duarte, que ficou conhecida do grande público ao interpretar Ivan, na novela “A Força do Querer”. A atriz se transforma novamente na tela para viver uma personagem diferente de tudo o que fez até agora.

Júlia Stockler também é impressionante no papel de Guida. “Para mim, enquanto mulher, é uma potência poder representar essa sonhadora”, se orgulha a atriz.

Para ela, aliás, mesmo tratando-se de uma trama de época, o Brasil não mudou muito quando o assunto é conservadorismo. “Na verdade, a gente está falando de hoje. A década de 50 é um artifício que se encontrou para falar do que a gente está vivendo agora com o novo governo. Cada vez mais estamos nos fechando novamente, em um retrocesso absoluto, principalmente em relação à mulher”, aponta a atriz.

“A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” é o único filme brasileiro da seleção oficial Um Certo Olhar, que conta com 18 participantes. O 72° Festival de Cannes vai até 25 de maio.

 

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