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Designer paulista desenvolve marca de roupas em Durban com mulheres em situação de vulnerabilidade

Designer paulista desenvolve marca de roupas em Durban com mulheres em situação de vulnerabilidade
 
Júlia Franco no seu ateliê da Shwe, onde a designer brasileira faz a diferença na moda na África do Sul. Arquivo pessoal

A designer de moda paulista Júlia Franco, 35 anos, trocou a capital da moda italiana, Milão, para se instalar em Durban, a segunda maior cidade da África do Sul. Sete anos depois, ela desenvolve a marca Shwe Wearable Library, que já produz em torno de 300 peças por mês, vendidas no mercado local e também exportadas para Brasil, Espanha, Estados Unidos e Itália. O diferencial do projeto de Júlia é que ela trabalha pela inclusão de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Kinha Costa, correspondente na África do Sul

A designer paulista está mudando a vida de refugiadas, de um grupo de mulheres que sofreu violência doméstica e de idosas de um asilo municipal. A empresa é muito nova, mas já conta com mais de 60 funcionárias na folha de pagamento.

Júlia Franco trabalhava em Milão com o consagrado designer italiano Roberto Cavalli. Em 2012, ela visitou Durban e resolveu fixar residência na cidade. No entanto, continuou trabalhando como freelancer para agências de moda em Milão. Em 2015, descobriu o tecido sul-africano “shweshwe” e passou a buscar infraestrutura para criar roupas a partir do tecido.

A paulista desejava trabalhar com mulheres carentes e aceitou o convite de um um amigo, sociólogo, para visitar algumas instituições que cuidavam de mulheres em situação de vulnerabilidade. Foi nas visitas a um centro de mulheres refugiadas, outro de mulheres vítimas de violência doméstica e uma casa de repouso para idosas que ela descobriu o potencial da mão de obra que tanto procurava. Júlia adotou os três grupos e passou a visitá-los semanalmente.

Como juntar três projetos distintos

O projeto das mulheres refugiadas funcionava em um terreno cedido pela mesquita do bairro. A Igreja Católica, do mesmo bairro, construiu o espaço físico e montou, no local, uma infraestrutura com clínica médica e facilidades para as refugiadas tirarem documentos. Esse foi o grupo mais difícil de solucionar, conta Júlia, porque era grande.

A empresa Shwe começou com 64 mulheres e o grupo de refugiadas tinha 40 mulheres. Sem condições de contratar tanta gente, Júlia pediu ajuda à Faculdade de Moda de Durban, que foi receptiva. “Eles, muito gentilmente, abriram as portas para todas nós", relata.

"Foi muito emocionante, porque muitas dessas mulheres nunca tinham ido à escola, muito menos a uma faculdade. O primeiro dia de aula foi incrível, porque a gente passava pelos corredores e elas se encostavam nas paredes. Vendo toda aquela emoção, todo mundo ficou muito tocado”, lembra Júlia.

O projeto que abrigava mulheres vítimas de violência era uma iniciativa privada e solitária de Pinky Cupido, que acolhia em sua casa vítimas de abuso sexual e violência doméstica. Pinky era uma excelente costureira. Ela foi contratada e passou a ensinar ao grupo os segredos do corte e da costura.

Foto de promoção da marca Shwe Jacki Bruniquel

O projeto que mais demorou a encontrar um caminho foi o das idosas – senhoras com idades de 75 a 92 anos. Júlia levava fios para crochê e tricô em suas visitas semanais ao asilo, mas não sabia exatamente o que iria fazer. Depois de alguns meses, elas decidiram misturar o tecido "shweshwe" com crochê e tricô. “As senhoras do asilo municipal nos presenteiam com seus dons, adicionando crochê e tricô às peças mais exclusivas.”

A empresa Shwe não tem condições de contratar todas as pessoas, mas oferece infraestrutura para quem quer aprender a profissão. Mais de 100 mulheres passaram pela microempresa.

Faculdade de moda abraça o projeto

O projeto foi adotado pela Faculdade de Moda de Durban. O professor Khaya Mchunu começou a coletar a história de cada mulher e o resultado virou sua tese de mestrado. “Hoje, ingressam na universidade 28 mulheres, em média, por semestre, que aprendem corte, costura e a como abrir seus próprios negócios", explica. As roupas produzidas são vendidas no Brasil, nos Estados Unidos, na Itália, na Espanha e aqui na África do Sul. "As roupas carregam muito a história de garra e superação de todas essas mulheres", nota Mchunu, que afirma ter muito orgulho de participar do projeto.

O tecido "shweshwe"

"Shweshwe" é um tecido sul-africano fabricado em Durban e composto 100% de algodão. É um tecido de cores vibrantes e estampas encontradas somente na África do Sul. Mas é um tecido de difícil caimento, estreito, com apenas 90 centímetros de largura e ainda encolhe quase dez centímetros na lavagem. Para confeccionar um vestido curto são usados, pelo menos, três metros. É também um tecido caro, se comparado com tecidos tradicionais de 120 cm ou 140 cm de largura.

Júlia Franco nasceu em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, e cresceu em Arujá. Adolescente, ela fez o colegial nos Estados Unidos e se formou em Hotelaria em São Paulo, antes de seguir uma formação de marketing da moda no Instituto Europeu de Design, em Milão. Ela é casada com um sul-africano e divide seu tempo entre a marca que criou em Durban e as viagens que faz ao exterior para apresentar seus produtos, mostrando que é possível mudar destinos e fazer a diferença.


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