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Brasil

Filme com índios brasileiros krahô conquista crítica na França

media Le Monde apresenta o filme como um "o choque cintilante entre dois mundos" Reprodução / Le Monde

O jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta terça-feira (7) traz uma matéria de página inteira sobre o filme Chuva é cantoria na aldeia dos mortos, coprodução luso-brasileira que entra no circuito comercial francês esta semana. O vespertino tece longos elogios sobre o projeto.

O filme, que chamou atenção na edição passada na mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes, conta a história de Injãc, um adolescente da etnia krahô que resiste ao destino de pajé que o aguarda, como manda a tradição de seu povo. A produção é assinada pelo português João Salaviza e a brasileira Renée Nader Messora, diretores que, segundo Le Monde, conseguiram restituir nas telas a noção de tempo e espaço que corresponde à experiência dos índios.

O filme foi rodado com a colaboração de uma tribo de Tocantins, conta o texto. Segundo o jornal, “o resultado é a invenção de um território poético no cruzamento entre a antropologia e a fábula, entre o documento e o sonho acordado”.

“Natureza e magia são tão intimamente ligados que cada evento captado pela câmera ganha um brilho maravilhoso”, escreve o vespertino francês, ressaltando as belas imagens, o registro dos rituais e da musicalidade da língua dos personagens. Mas o filme, que chega no circuito francês com o título O canto da floresta, “não se resume a uma pura observação e integra uma dimensão espiritual”, continua o texto, que apresenta a história como muito mais que um simples representante do world cinema.

Estado brasileiro profere discurso de ódio

Le Monde traz ainda uma entrevista com João Salaviza, que conta o processo de produção do filme. Ele relata sua vivência de nove meses com os índios e como construiu a trama a partir de elementos do cotidiano da tribo. “O mais difícil foi encontrar o tom justo para cada cena, pois elas oscilam entre ficção e documentário”, explica o cineasta.

Mas o diretor também aborda a dimensão política da obra, lembrando a situação difícil dos indígenas brasileiros. “O que acontece no Brasil é terrível, tanto do ponto de vista ecológico como humano”, alerta Salaviza, em referência a postura do governo atual.

“A vontade de transformar o Brasil em um campo de soja e em pasto existe há muito tempo. Mas a diferença hoje, com Bolsonaro, é que temos um governo declaradamente contra os autóctones, como se esses povos fossem os maiores inimigos do país”, analisa o diretor, denunciando “um Estado que profere um discurso de ódio contra os indígenas, que legitima a violência”.

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