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Executiva brasileira lança em Londres rede social inédita sobre ansiedade no trabalho

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Executiva brasileira lança em Londres rede social inédita sobre ansiedade no trabalho
 
A carioca Andrea Destri fundadora da rede social Friendsbee. Vivian Oswald/RFI

Ao perceber que as pessoas estão cada vez mais sós, deprimidas e ansiosas, a executiva carioca Andrea Destri resolveu lançar uma rede social do “bem”. A Friendsbee está em fase de experimentação e entra definitivamente no ar até o final de maio.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

Inexistentes há um punhado de anos, as mídias sociais passaram a fazer parte da vida cotidiana dos cidadãos mundo afora. Conectam grupos cada vez maiores, ditam a moda e regras de comportamento. O mundo nunca esteve tão interligado. Mas, na contramão do que se imaginaria, as pessoas se sentem sós. E a depressão e a ansiedade afetam não só a vida pessoal como a profissional de trabalhadores. A depressão já é a terceira maior causa de afastamento do trabalho em todo o planeta, e pode ser a maior delas até o ano que vem.

Depois que percebeu isso, a executiva carioca Andrea Destri decidiu mudar os rumos da sua longa carreira bem-sucedida de diretora de Recursos Humanos em grandes empresas. Está se lançando num voo solo, com a criação de uma rede social inédita, exclusiva para as pessoas que têm problemas, mas não se sentem à vontade para compartilhá-los.

A Friendsbee já está em operação em um projeto piloto. Entra no ar em definitivo até o final de maio. O nome é uma mistura das palavras amigos e abelhas. Andrea explica que é importante trazer a ideia de colmeia, da polinização, da importância das abelhas para o mundo. A ideia surgiu justamente depois da quantidade de problemas que percebeu que as pessoas carregam para o trabalho, o que afeta a sua produtividade.

Mídias sociais

E as mídias sociais, segundo ela, talvez atrapalhem ainda mais aqueles que têm problemas. Isso porque, em geral, mostram uma espécie de realidade paralela, onde as vidas parecem perfeitas, famílias e casamentos de contos de fadas. Mas a especialista lembra que as pessoas se separam, que, como ela, mulheres podem se tornar mães adolescentes, e como isso influencia a carreira? Assédio moral e sexual são outros temas que as pessoas se sentem desconfortáveis para tratar.

"São coisas que, por essas questões de medo de julgamento, não fui bom pai, não fui boa mãe, não soube educar o meu filho, vão achar que eu sou um fracasso, não posso ser executivo nessa empresa", diz a CEO da Friendsbee.

Antes de criar a startup, Andrea realizou pesquisa com 500 pessoas para saber se o seu projeto era viável. O resultado foi que elas tinham necessidade de falar de seus problemas, mas não tinham com quem conversar. Sentiam-se sozinhas. Por três razões básicas: medo de julgamento, de fofocas e de que a percepção que os outros tinham delas mudasse.

"Puxa, Andrea, você já criou tanta coisa bacana para as organizações que você já trabalhou, que fez diferença na vida das pessoas, tem que ser alguma coisa mais perene. Eu queria fazer alguma coisa para a sociedade. Vi o tanto que fazia mal para as pessoas o uso das redes sociais. Casos de pessoas que ficam achando que só a vida delas era ruim, o que aumentava o quadro de angústia e solidão. E, com isso, veio o estalo! É isso aí, por que não tem uma rede social do bem? Foi o primeiro pensamento que veio à minha cabeça", conta.

Startup apoiada pelo BNDES

A Friendsbee é uma startup que foi incluída no programa BNDES garagem, que é direcionado para novas empresas criativas. Sob o guarda-chuva do banco, nos próximos quatro meses, ela vai buscar novas tecnologias, um modelo que defina seus objetivos de remuneração, benefícios e o mais importante: investidores.

A empresa está sendo criada com recursos próprios e muitas ideias baseadas na experiência de Andrea, que veio a Londres participar de um curso de formação para executivas de Conselhos de Administração de empresas. Trata-se de um programa da London School of Economics que tem por objetivo ampliar a participação feminina nos cargos mais elevados das empresas.

As receitas do Friendsbee virão de anúncios especializados de empresas que queiram se associar à imagem de desenvolvimento humano e sustentabilidade da marca, segundo ela, e não de produtos de consumo, como outras redes sociais.

Andrea, que é administradora de empresas, com pós-gradução em recursos humanos, também vai atrás de patrocínio e quer vender o modelo da sua rede para o mundo corporativo. A ideia é que as companhias possam desenvolver as suas próprias redes internas para que os funcionários possam tratar de seus problemas e trabalhar mais satisfeitos. Dados estatísticos também devem ser vendidos pela Friendsbee: um perfil das agruras dos usuários.

Anonimato

Andrea lembra que, para entrar na Friendsbee não é preciso se identificar. Pode-se usar um codinome, mudar de nome. O anonimato é uma das garantias do negócio. "O importante é saber que você está com a sua identidade protegida. Para a gente, não importa a questão de status, quantos diplomas vocês tem, quem é você na sociedade para os outros, quem é a tua máscara social. E, ali, sim, você vai poder trabalhar você na sua essência", afirma.

Uma rede só de problemas? "Olha, eu não vejo como uma rede deprimida, não! Muito pelo contrário. Vejo como uma rede que toca pontos que você não tem onde endereçar. É uma rede que não tem qual no mundo, que tem o potencial de crescer. É possibilitar que as pessoas em dilema, em angústia, tenham a oportunidade de enxergar diferentes saídas em suas vidas", destaca.

Com isso, Andrea acredita que a Friendsbee poderá favorecer a melhor tomada de decisão, empodeirando os usuários e mantendo o seu protagonismo para cuidar dos próprios problemas. "A gente está entrando num segmento que, hoje, não está coberto", diz entusiasmada.


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