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Brasil

“No Brasil não temos essa relação com os bens públicos”, diz responsável por obras do Museu Nacional

media  
Museu Nacional Maria Aparecida Soukef Nasser, engenheira especializada em restauração de patrimônio histórico responsável pelas obras de restauração do Museu Nacional. arquivo pessoal

Na semana em que a Catedral de Notre-Dame de Paris ardeu em chamas, impossível para os brasileiros não se lembrarem do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que foi parcialmente destruído por um violento incêndio no ano passado. A RFI conversou com Maria Aparecida Soukef Nasser, engenheira especializada em restauração de patrimônio histórico e que é responsável pelas obras de restauração do museu carioca.

“Estamos na etapa de trabalhar juntos com os arqueólogos da própria universidade e tentar resgatar, enquanto limpamos os escombros, todo o material possível. É um trabalho demorado, delicado e de extremo cuidado. Também estamos fazendo a cobertura provisória que vai ser instalada sobre o museu”, explica.

Sete meses depois do incêndio, o total de doações que a obra recebeu foi de R$ 1,1 milhão, dos quais apenas R$ 15 mil reais doados por empresas brasileiras. Na França, os recursos arrecadados para a catedral parisiense passaram de € 700 milhões em poucas horas.

“É bem diferente a tratativa do patrimônio mundial do nacional” compara Maria Aparecida Nasser. “A catedral é um ícone. Ela não é de Paris, mas do mundo. E essa percepção de uma catedral gótica do ano de 1.300, dessa sua importância como um dos lugares mais visitados do mundo causa uma comoção muito grande. No Brasil nós não temos essa percepção e essa relação de importância para com os bens” completa. “O Museu Nacional é um dos maiores do mundo de história natural, e que se perdeu, sem haver essa percepção, nem esse entendimento ou sensibilidade. Todo mundo ficou chocado, sofreu muito, mas não existe uma ação de vontade particular de ajudar”, conclui.  

Logo quando ocorreu o incêndio no Rio de Janeiro, o então candidato à presidência, Jair Bolsonaro, não deu muita atenção ao assunto. Bolsonaro chegou a dizer que: “já queimou, vocês querem que eu faça o quê?”. A engenheira explica que o apoio recebido do governo federal vem da administração passada.

“Vem do antigo governo uma verba que era destinada ao MEC, então o dinheiro com que está sendo feito esse primeiro salvamento do Museu Nacional é do Ministério da Educação. Para além do posicionamento do presidente, os recursos são do governo federal. Nessa primeira fase, para o resgate dos bens, são R$ 10 milhões”, revela.

Diretora de Operações da Concrejato Engenharia, a maior do Brasil e que já fez mais de 400 obras de restauração de patrimônio histórico no país, incluindo as do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, Maria Aparecida fala como tem sido desenvolver esse trabalho sob o governo de Bolsonaro, que não tem a pasta da cultura entre as suas prioridades.

“Por enquanto não temos dificuldades porque os projetos em andamento são anteriores. O Museu da Língua Portuguesa tem dinheiro da Lei Rouanet, do Estado, tem dinheiro público e dinheiro de empresas. Houve uma ação muito rápida do governo estadual, na época, e em janeiro ou fevereiro do ano que vem o museu já será inaugurado”, anuncia.

O Museu Nacional do Rio e a Catedral de Notre-Dame agora têm essa triste história em comum para compartilhar: o incêndio. A engenheira fala sobre as semelhanças e as lições que podem ser tiradas dessas tragédias.

“A dimensão do Museu Nacional, em escala volumétrica, é maior do que a da catedral. A catedral teve muita sorte de estarem sendo retirados todos os elementos que são ícones da fachada para restauração, então muita coisa foi salva. Quando você vê fotos da destruição, o fogo não se alastrou, diferentemente do Museu Nacional, onde foi um sofrimento constante você acompanhar as perdas sala por sala”, diz

“A ação dos bombeiros de Notre-Dame foi belíssima, de muita inteligência, pois não se jogou água de helicóptero de cima para baixo, o que poderia piorar a situação. Pela dimensão do incêndio, podemos dizer que o estrago não foi tão grande. Ao contrário do que vimos no Museu Nacional”, completa.

“Os bens resgatados são muito mais do que se esperava, porque o próprio peso da demolição acomodou muitas peças e acabou não se estragando tanto. É claro que vamos perder uma proporção entre 60 e 70%. Mas pensando em edificação e equipamentos, acho que será um processo mais longo. Depende de uma ação política e de vontades, da população e de governos, porque precisa haver alguém que encampe isso com a mesma paixão que os parisienses têm pela catedral”, espera.

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