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Brasil

Les Echos: acordo entre Bolsonaro e Trump "instaura precedente perigoso para funcionamento do Mercosul"

media Argentina: produtores de trigo estão preocupados após acordo entre Brasil e EUA, é manchete no jornal Les Echos desta segunda-feira (25). Fotomontagem

Os resultados do encontro entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, em Washington, ainda repercutem nas páginas da imprensa francesa. O jornal Les Echos desta segunda-feira (25) destaca que a aproximação entre os dois países vai prejudicar a economia argentina.

"Os produtores de trigo argentinos preocupados após o acordo entre o Brasil e os Estados Unidos" é o título da matéria da correspondente do diário em Buenos Aires. Segundo Les Echos, a Argentina ficou surpresa com a decisão do governo brasileiro de permitir que até 750 mil toneladas de cereais americanos possam ser exportadas ao Brasil sem cobrança de impostos. Em troca - destaca a matéria - as negociações sobre a exportação de carne brasileira aos Estados Unidos - suspensas em 2017 depois de escândalos sanitários - devem ser retomadas.

Les Echos ressalta que a Argentina é o primeiro fornecedor de trigo do Brasil. Apenas no ano passado, Buenos Aires exportou mais de 6 milhões de toneladas do produto ao país vizinho, registrando 87% das importações brasileiras de trigo. Com o acordo entre Washington e Brasília, Bolsonaro desrespeitou a regra de cobrança de impostos aos países que não fazem parte do Mercosul, o que vai resultar em uma perda de cerca de US$ 300 milhões à economia argentina.

Precedente perigoso

Entrevistado por Les Echos, Andrés Alcaraz, porta-voz do Centro Argentino dos Exportadores de Cereais, avalia que a decisão do governo brasileiro "instaura um precedente perigoso para o funcionamento do Mercosul e as relações entre o Brasil e a Argentina".

O diário também destaca a revolta do ministro argentino da Produção, Dante Sica, com o acordo fechado entre Bolsonaro e Trump. Para ele, até hoje apenas o Brasil obteve vantagens comerciais dentro do Mercosul. De acordo com Sica, o mercado comum entre os países da América do Sul "é um fracasso" em matéria de negociações internacionais e desenvolvimento da competitividade do bloco. "A estratégia de concentração no mercado brasileiro nos tornou muito dependentes do ciclo de produção do Brasil", afirmou o ministro argentino da Produção.

Especialistas avaliam, no entanto, que apesar de o acordo com os Estados Unidos prejudicar as relações entre os países do Mercosul, ele não deve desestabilizar toda a indústria argentina. Por outro lado, Buenos Aires já começa a diversificar suas exportações de trigo. Para tapar o buraco deixado pelo Brasil, o trigo argentino já começa a buscar outros mercados, como a África do Norte e a Ásia, sublinha o jornal Les Echos.

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