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Brasil

"Partido de Temer é o pai e a mãe da corrupção", diz Libération

media A imprensa francesa repercute a prisão do ex-presidente Michel Temer. Fotomontagem RFI

A imprensa francesa repercute nesta sexta-feira (22) a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB) e também as consequências do fechamento do Ministério da Cultura no governo de Jair Bolsonaro, uma decisão que preocupa artistas, intelectuais e setores da sociedade.

Sobre a prisão de Temer, o jornal Libération diz que, apesar das acusações de corrupção contra o ex-presidente, ela não entusiasma a esquerda, "por servir aos interesses de Jair Bolsonaro, além de ser uma nova prova do estado de ruína do sistema político construído no Brasil após o fim da ditadura, em 1985". A ironia, escreve a correspondente Chantal Rayes, é que os argumentos que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff – as denúncias sobre o esquema de cobrança de propinas para o financiamento de campanhas eleitorais reveladas pela Lava Jato – também geraram a prisão de Temer.

"É certo que o MDB contribuiu, por um lado, à transição democrática no Brasil, mas o partido é considerado o pai e a mãe da corrupção", ressalta o jornal. O ex-presidente Lula é condenado no mesmo escândalo, ao final de uma investigação contestada, acrescenta Libération.

Dois ex-presidentes presos

Temer passa a ser o segundo ex-presidente preso, visado por ao menos dez inquéritos por suspeita de corrução. Mas nem o fato de a Lava Jato ter se voltado para um político de fora do PT traz otimismo. O jornal francês nota que a Polícia Federal prende Temer no momento em que a popularidade de Bolsonaro despenca – queda de 13 pontos em pouco mais de dois meses e meio no poder –, e que seu filho Flávio e seu partido, o PSL, também são investigados por desvio de dinheiro público por meio de candidaturas laranjas.

A Lava Jato continua sendo instrumentalizada para fins políticos, explica o Libération, depois de ouvir a avalisção da jornalista Cynara Menezes, editora do blogue Socialista Morena. Temer e Moreira Franco, seu ex-ministro da Energia, foram presos na disputa entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, um crítico do governo Bolsonaro apreciado pela direita moderada, explica Libération.

Moro busca retificar o tiro

Le Monde explica que 26 pessoas foram presas no desdobramento da operação Radioatividade, que correspondeu à 16ª fase da Lava Jato. Segundo trechos do despacho do juiz Marcelo Bretas, reproduzidos pelo jornal francês, o pedido de prisão preventiva de Temer foi justificado por se tratar do "chefe de uma organização criminosa, um homem que ocupou durante ao menos duas décadas vários postos importantes da República [...] usando o Estado brasileiro como uma máquina de arrecadação de propinas".  

A correspondente do Le Monde em São Paulo, Claire Gatinois, conclui que a operação Lava Jato sai ganhando no enfrentamento entre Moro e Maia, ao menos momentaneamente. Para Moro, deter um ex-presidente de direita pode reduzir o desgate provocado por sua pesada condenação ao ex-presidente Lula. Ele dá uma meia resposta às críticas por ter aceitado o cargo de ministro da Justiça de Bolsonaro e retifica o tiro depois de dizer que caixa dois em campanha eleitoral não é corrupção.

Artistas temem censura

O jornal La Croix publica uma extensa reportagem sobre o fechamento do Ministério da Cultura, decisão de Bolsonaro que não surpreendeu os artistas brasileiros, uma vez que todos conhecem o desprezo do ex-capitão pelas artes e seu apreço à tortura. O receio é um retorno da censura, preocupação manifestada pelo escritor Bernardo Carvalho, entre outros entrevistados na reportagem.

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