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Brasil

“Prisão de Temer é ameaça velada de Moro a Rodrigo Maia”, diz Jean Wyllys em Paris

media O ex-deputado federal Jean Wyllys nos estúdios da RFI Brasil, em Paris, em 21 de março de 2019. RFI/Márcia Bechara

O ex-deputado federal Jean Wyllys, que cumpre há cerca de uma semana uma agenda cheia em Paris, concedeu entrevista exclusiva nesta quinta-feira (21) à RFI. Ele comentou as prisões do ex-presidente brasileiro Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, que classificou de “cabo de guerra entre facções políticas que deram o golpe de 2016”. Wyllys falou também sobre exílio, refúgio político, planos para o futuro e o governo de Jair Bolsonaro no Brasil.

*Assista abaixo, no fim do texto, o vídeo completo da entrevista com Jean Wyllys nos estúdios da RFI, em Paris.

RFI : Um escritor muito querido dos franceses, o Victor Hugo, dizia que “o exílio é uma longa insônia”. Como vem sendo a sua experiência?

Jean Wyllys: Eu digo que ainda não vivi o lado mais pesado e duro do exílio, o momento em que o luto vai chegar mesmo, a melancolia. Estou ainda no tubilhão do impacto da notícia de ter aberto mão do meu terceiro mandato. Estou no olho do furacão. O olho do furacão é calmo, mas também é o lugar mais perigoso. Estou tentando preparar as minhas estruturas internas para esse momento, tendo passado o burburinho das notícias, dessa denúncia que é preciso fazer aqui fora sobre o que está acontecendo no Brasil. Estou me preparando para essa longa insônia que Victor Hugo disse sobre o exílio.

RFI : Em entrevista à televisão francesa, Yann Barthès, apresentador do programa Quotidien, afirmou que você havia se tornado o principal símbolo da oposição ao governo Bolsonaro, pelo menos no exterior. Você concorda com essa afirmação?

JW: Eu concordo, embora não tenha tido essa intenção. Quando decidi abandonar meu terceiro mandato, estava pensando na minha vida. As ameaças eram muito pesadas e tinham se extendido à minha família. Paralelo às ameaças havia uma campanha difamatória muito pesada que destruía minha reputação pública e me colocava vulnerável em quase todos os espaços públicos no Brasil. Eu vivia uma vida pela metade, isso estava impactando na minha saúde física e psíquica, então minha decisão tem a ver com a defesa da minha vida. Essa decisão teve um impacto político tão grande internacionalmente, e como eu sou responsável politicamente, eu decidi utilizar esse lugar que ocupo agora como uma trincheira. Não gosto muito das metáforas da guerra, mas vou usá-la. É uma trincheira para defender a democracia do Brasil e suas minorias. Me converti neste símbolo de oposição ao Bolsonaro, não porque quisesse a princípio, mas concordo com o Yann Barthès. De fato acabou acontecendo.

RFI: Você disse uma vez que Marielle Franco vai derrotar Bolsonaro. O que você quis dizer com isso?

JW: Eu quis dizer que Marielle ronda como um espectro, como na peça de Shakespeare, Hamlet, ela ronda o governo fascista de Bolsonaro. Para mim vão ficar claras as ligações entre Bolsonaro e as milícias, as organizações criminosas de onde saíram os sicários que executaram Marielle. O Ministério Público e a imprensa têm mostrado essas relações. O presidente da República morava a alguns metros de um assassino de aluguel frio. Como é que a Inteligência brasileira, a Polícia Federal não sabia disso?

RFI: Dois ex-policiais foram presos dentro da investigação do assassinato de Marielle Franco. A polícia federal citou o ex-deputado estadual Domingos Brazão (ex-MDB) entre os suspeitos de ser um dos possíveis mandantes, você acha que isso é uma pista concreta ou uma cortina de fumaça?

JW: Pode ser uma possibilidade. Mas pode ser também uma cortina de fumaça, um bode expiatório, uma maneira de desviar a atenção dos parlamentares ou esconder o verdadeiro mandante. Acho curioso que, pouco depois da polícia apresentar os executores da Marielle, o delegado Giniton Lages tenha sido afastado das investigações. Ou seja, quando as investigações passam para uma segunda etapa e quando todos os indícios apontam para uma ligação estreita entre a família de Bolsonaro e os executores de Marielle, o delegado é afastado.

RFI: O ex-presidente da República Michel Temer foi preso dentro das investigações da Lava Jato. O juiz federal Marcelo Bretas que pediu a prisão chegou a dizer que Temer liderava uma organização criminosa. Qual sua opinião sobre isso?

JW: A minha opinião é que a prisão de Temer não passa de um mero lance, de um cabo de guerra entre as facções que deram o golpe de 2016, que foram beneficiadas política e economicamente com o golpe de 2016. A prisão de Temer e de Moreira Franco acontecem na sequência da desmoralização pública que Rodrigo Maia fez de Sérgio Moro. A resposta de Sérgio Moro foi mobilizar seus aliados na Lava Jato para ameaçar Rodrigo Maia através destas duas prisões. Na verdade, Moro faz uma ameaça velada a Rodrigo Maia. Essa foi a maneira do Sérgio Moro devolver o que Maia fez, que foi a desqualificação... Desqualificação não, porque Moro não tem nenhuma qualidade. Moro não precisa ser desqualificado, ele já é desqualificado por si mesmo. Uma pessoa que aceita ser ministro da Justiça do candidato beneficiado com a prisão do Lula, tendo ele realizado essa prisão, não tem nenhuma qualidade. Não comemoro essa prisão de Michel Temer porque ela chega tardia e não passa de mais um ato obsceno na orgia dos farsantes.

RFI: Você acha que a Justiça e polícia brasileiras serão suficientemente independentes para chegar aos mandantes do crime de Marielle Franco?

JW: Eu espero que sejam, a gente tem que pressionar para que sejam. A gente tem que pressionar esse jogo de cartas marcadas da Polícia Civil do Rio de Janeiro agora sob a gestão de Wilson Witzel. A gente precisa botar olho nisso, com os organismos internacionais que já vinham acompanhando, a Anistia Internacional, a Human Rights Watch, Justiça Global, Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), nós brasileiros que vivemos fora e os brasileiros que estão lá dentro, nas bancadas progressistas, têm que botar olho para que as investigações não se degenerem. A gente quer saber quem mandou matar Marielle, a gente quer saber sobre essas relações entre a família Bolsonaro e as milícias, as organizações criminosas que comandam territórios no Rio de Janeiro. 

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