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Jornalista brasileiro Fernando Molica lança em Paris livro sobre racismo e violência policial

Jornalista brasileiro Fernando Molica lança em Paris livro sobre racismo e violência policial
 
O escritor Fernando Molica RFI

O jornalista e autor brasileiro Fernando Molica está na França divulgando o lançamento de Noir et Blanc (Editora Anacaona), a tradução francesa de seu romance Bandeira Negra, Amor. O escritor conversou com a RFI sobre racismo e violência policial, num país miscigenado como o Brasil.

Para assistir ao vídeo da entrevista na íntegra, clique no link abaixo

A sessão de autógrafos será na terça-feira (19), na Fundação Jean Jaurès. O livro conta a execução de três adolescentes negros, sem antecedentes criminais. A princípio, parece uma história de traficantes, mas a situação é um pouco mais complicada, pois eles foram vistos com policiais na noite do crime.

“A editora fala que é um livro policial, porque ele tem um pano de fundo que é um crime ocorrido no Rio de Janeiro, que coloca em conflito os dois personagens principais: um advogado negro, militante dos direitos humanos, que tem um caso amoroso com a porta-voz da polícia militar, que é branca. Então há um conflito profissional e racial entre os dois, mas também é uma história de amor”, conta o autor.

O herói é negro, advogado, um personagem descrito como pouco comum. Fred cresceu com uma mãe que fazia de tudo para que ele parecesse branco. Porém, ele acaba se tornando militante do movimento dos negros e direitos civis.

“É curioso porque o Brasil é um país miscigenado e, de um modo geral, todos nós somos descendentes de escravos ou de ex-proprietários de escravos, o que é um paradoxo brasileiro”, destaca Molica. “Principalmente no exterior, existe a ideia da democracia racial brasileira. E a gente sabe que não é assim. Há um racismo muito forte, a pobreza no Brasil tem cor, é majoritariamente negra”, explica. “O Brasil é um país formado na escravidão, e a escravidão nas Américas, ao contrário de outros processos no mundo inteiro, tem a cor dos negros sequestrados na África e trazidos para as Américas. E essa situação até hoje, infelizmente, não foi rompida. No Brasil, de maneira geral, os negros vivem pior, estudam menos e são mais mortos”, completa.

Uma longa carreira na cobertura policial

A violência urbana está presente na vida profissional do repórter Fernando Molica, que começou a carreira na imprensa escrita, antes de ir para a TV. Ele trabalhou em veículos como a Folha de São Paulo, Jornal O Globo e O dia. Na TV Globo, atuou no Fantástico e Jornal Nacional,  entre outros programas. Em 1988, o jornalista investigou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Em suas coberturas, acompanhou a invasão do Conjunto de Favelas do Alemão, na época um símbolo da retomada daquele território pelo Estado. Foi no rastro do assassinato do jornalista Tim Lopes, em 2002, que surgiu a Abraji, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, da qual Fernando Molica é um dos fundadores. Em sua passagem por Paris, o autor conta o que mudou na situação da segurança no Brasil de lá para cá.

“Piorou. Em 2017 houve um número assustador de 60 mil homicídios no Brasil. Todos nós temos medo, a violência atinge a todos nós, mas há núcleos dentro das cidades que são mais violentos. A zona Sul do Rio de Janeiro, a mais nobre, tem índices de violência bem razoáveis, talvez comparados com algumas cidades europeias. Mas em áreas suburbanas e de periferia esses índices vão aumentando muito” explica.   

Racismo velado

“Eu continuo atuando como jornalista, eu sou repórter e tenho uma convivência muito próxima com essa realidade. Porém, quando você parte para a ficção, ela permite outros voos”, afirma.

“No livro eu não trato do racismo criminal. A ficção permite trabalhar de uma maneira mais sutil, é o racismo pequeno, para quem o pratica, não pra quem é atingido. É um olhar, um gesto”, diz.

No Brasil, pequenas atitudes do cotidiano podem revelar traços de racimo e o leitor vai acompanhar situações vividas pelo personagem Fred e ver como esse advogado negro lida com o problema.

“Tem uma passagem no livro em que o Fred está de terno na porta de um restaurante esperando o carro dele e um outro cliente do restaurante sai e entrega a chave do carro, o confunde com o guardador. Porque não é comum encontrar negros em restaurantes um pouco mais sofisticados”, lembra o escritor.    

“Um outro exemplo típico: três meninos negros andando pela rua notam que a mulher que passa por eles segura com mais força a bolsa. E mesmo no jornalismo, quando se publica notícia sobre um menor de idade, normalmente é negro e pobre. Quando um adolescente branco é suspeito de cometer um crime ele é tratado como um jovem”.

O lugar do negro na literatura brasileira

Em sua passagem pela Europa, Fernando Molica tem falado sobre a situação nas favelas do Rio de Janeiro e o lugar dos personagens negros na literatura brasileira. O autor já passou por Bruxelas, Lille e depois de Paris segue para Lyon, no dia 20.

“É algo muito interessante, alguns brasileiros comparecem mas há muitos franceses. O Brasil ainda desperta muita curiosidade no mundo, é um país visto com muita simpatia aqui na França e que carrega todas essas contradições. Talvez a realidade brasileira tenha alguma coisa em comum com a França, mais recentemente com o problema da imigração. Mas, apesar de serem realidades completamente diferentes, o livro traz um choque de culturas, de integração, há visões de mundo diferentes e talvez isso atraia o público europeu”, acredita.  

Outras obras

Fernando Molica tem uma carreira literária extensa. É autor de Notícias do Mirandão (2002), O Homem que Morreu Três Vezes (2003), Bandeira Negra, Amor (2005), O Ponto de Partida (2008), Inventário de Julio Reis (2012), além do infanto-juvenil O Misterioso Craque da Vila Belmira (2010).

Notícias do Mirandão ou Revolutión au Mirandão, na versão francesa, conta a história de um grupo de extrema esquerda que une forças com traficantes de drogas no Rio de Janeiro para explorar a situação social explosiva das favelas e desencadear uma revolução socialista no Brasil.

“Eu não gosto do rótulo de uma literatura realista, mas é inegável. Eu sou carioca, sempre morei no Rio, tenho uma relação com a cidade que inspira para o bem e também em seus conflitos. Então, o ponto de partida dos meus livros é essa realidade do Rio de Janeiro e brasileira que eu tento trabalhar de uma forma ficcional e ampliar essa leitura”, explica.

Caso Marielle

Em entrevista à RFI, Molica também comentou o assassinato da vereadora carioca Mariele Franco, porta-voz das minorias. 

“Completou um ano do assassinato da Marielle Franco, que é um personagem muito interessante porque ela era moradora de favela, que estudou e conseguiu completar um curso superior, começou a trabalhar no gabinete de um deputado e depois entrou efetivamente para a política. Ela representa uma certa novidade brasileira”, segundo Molica. “No novo Congresso brasileiro há uma representação maior de negros, ainda que no geral seja ainda muito inferior, mas o assassinato dela causou um choque muito grande porque foi a interrupção de um processo de mudança. É um processo lento, que está acontecendo no Brasil, mas é um processo de mudança”, acredita.


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