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"O choro é talvez o gênero mais autenticamente brasileiro", diz especialista

 
O musicólogo Oscar Barahona. RFI Brasil

No calendário musical da música brasileira na França, o mês de março é reservado para a divulgação do choro. Dois festivais, o de Lille e o de Paris, trazem uma ampla programação com concertos, mesas redondas e master classes com renomados artistas.

Em Lille, no norte da França, a 2ª edição do Festival de Choro, que tem como padrinho o trombonista Raul de Souza, terá na agenda, além de shows, um debate sobre as origens e a modernização do estilo musical com o especialista Oscar Barahona.  

Colombiano e especialista de músicas latino-americanas, Barahona teve contato com o choro ainda criança, quando vivia no México. Seu pai levou para casa um disco do violonista Turíbio Santos “Choros do Brasil”, que saiu no final dos anos 1970. Desde então, começou a se interessar e pesquisar o universo do choro e seus expoentes, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, entre outros.

Para o musicólogo, o choro deveria ter o mesmo status no cenário musical internacional que o jazz, o flamenco ou o tango argentino, estilos eruditos mas com forte apelo popular. “Todo mundo sabe quem é Paco de Lucía, Astor Piazzola, os grandes jazzistas como Louis Armstrong. Mas ninguém conhece Pixinguinha, Jacob do Bandolim”, lamenta.

Gênero autêntico brasileiro

Segundo Barahona, a explicação é que o choro teve um aspecto “endogâmico e não saiu das fronteiras do Brasil”. A exceção, de acordo com o especialista, é a canção Tico-Tico no Fubá, interpretada por Carmen Miranda nos Estados Unidos. “Só essa obra fez com que o choro fosse universalmente reconhecido, mas não é suficiente. Por trás do Tico-Tico no Fubá tem um universo imenso”, exclama.

Músico amador, Oscar Barahona divulga o choro por meio de textos em espanhol em sites especializados e na Tribuna de Música, Discos e Espetáculos na Maison de L’Amérique Latine em Paris, com o convite para a apresentação de músicos. Em Lille, vai dar uma palestra com o tema “Moderno é tradição – Hamilton de Hollanda e o choro brasileiro”.

A escolha pelo célebre bandolinista é pelo que representa o artista para o estilo musical. “Hamilton pensa que o choro tem em seu DNA, sua essência, a transgressão e a inovação, desde o princípio”, conta.  “O choro não é imóvel, é um gênero que a cada geração de músicos se renova, é revitalizado e reinventado. A essência do choro é a modernidade e isso é a tradição”, acrescenta.

Barahona, que também contribuiu para criação de uma página na internet com a história deste gênero para o Club do Choro de Paris, justifica o interesse crescente pelo chorinho na França pelo que representa em termos de confluência de ritmos e danças.

“Este é um gênero musical com muita mestiçagem. O choro nasceu das danças de salão europeias como a valsa, mazurca e o xote, mas misturou com ritmos africanos como o lundu (trazido pelos escravos de Angola). Provavelmente é o gênero mais autenticamente brasileiro”, conclui


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