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Brasileira ajuda a irrigar terras em Israel

Brasileira ajuda a irrigar terras em Israel
 
A agrônoma Daniela Jerszurki implementa um sensor Sciroot no Brasil Daniela Kresch

A engenheira agrônoma brasileira Daniela Jerszurki, de 31 anos, descobriu, em Israel, um solo fértil para seguir sua carreira dos sonhos: unir agricultura e tecnologia.

Por Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

Daniela chegou ao país em 2016 para fazer pós-doutorado. Mas acabou ficando depois de ser convidada para fazer parte de uma startup israelense de sensores que ajudam agricultores a ter mais eficiência em suas culturas. Hoje, ela é responsável pela pesquisa de solo e de plantas da empresa.

Trata-se de um sensor que mede o potencial hídrico do solo e da raiz e ajuda os agricultores a descobrir exatamente quanta água eles precisam para obter o melhor resultado em suas colheitas. Nem mais, nem menos.

Segundo Daniela, o sensor é uma solução simples e barata, mas que pode mudar a vida de agricultores no Brasil e no mundo.

“A irrigação hoje em dia, é muito complicada”, diz Daniela. “Muitos agricultores não têm nem um sistema pelo menos para ajudá-los, algo para indicá-los a fazer a coisa certa. Eles não têm a tecnologia ou eles aplicam muita quantidade de água; ou aplicam pouco. Não têm um sistema. Ou, se têm, não sabem como trabalhar com ele. Estamos tentando entender a dinâmica do solo, como ele afeta a planta e como é afetado pelo clima. Juntando todas essas experiências, a gente vai conseguir realmente entender, chegar num número mais próximo, ou no intervalo mais próximo do que realmente a planta precisa de água”.

Sensores usados também no Brasil

O produto da startup Sciroot, que também está em uso em alguns lugares do Brasil, é composto por um pano especial de fibra sintética que entra em contato com as raízes do solo. Esse pano ajuda a medir não apenas o potencial hídrico do solo, mas também das raízes e da rizosfera – região onde o solo e as raízes das plantas entram em contato. Os dados são enviados a um sensor, que, por sua vez, os envia online para os computadores da empresa, em Israel. A partir daí, o agricultor recebe orientações claras sobre como proceder.

Esse tipo de medição é o trabalho de vida de Daniela Jerszurki, que sempre se interessou por duas coisas: agricultura e números. Em Israel, ela transforma em algo concreto tudo o que aprendeu na vida: estudos de solo, clima e das plantas para entender qual deve ser o balanço ideal entre esses três sistemas.

“Nós aplicamos a modelagem nas ciências agrárias. Dentro disso, física do solo tem uma importância enorme”, explica Daniela. “E o que eu fiz aqui, quando vim para o meu pós-doutorado, foi exatamente isso. Continuei trabalhando com raízes, cultivares, efeitos da salinidade sobre sistema radicular, diferentes cultivares envolvidos para a salinidade. O estudo do movimento da água no solo, várias outras coisas”.

Nascida em Araucária, redondezas de Curitiba, Daniela se formou em Agronomia na Universidade Federal do Paraná e fez doutorado na Universidade da Califórnia, em Davis. Em, 2016, por causa de um colega israelense que também estava na Califórnia, decidiu tentar o pós-doutorado no Sul de Israel.

Chegou a Sde Boker, um kibutz no meio do deserto do Negev, conhecido por servir de lar para o primeiro premiê de Israel, David Ben-Gurion, depois que deixou a política. Lá, fica o Instituto de Pesquisa do Deserto da Universidade Ben Gurion – que leva o nome do ex-primeiro-ministro.

Saudades do Brasil

A mudança foi encarada com surpresa e temor por sua família, no Brasil: “A primeira coisa é o medo, né’? A gente tem medo. A minha mãe disse: ‘Ai meu Deus!’ Eu respondi: ‘Não, calma. Eles disseram que é tranquilo e é interessante e é que eu gosto’. Era exatamente o que eu estava fazendo no mestrado e no doutorado”.

A decisão de ficar em Israel depois do fim do pós-douturado aconteceu depois que Daniela conheceu um israelense que se tornou seu marido. De família católica, a engenheira agrônoma paranaense ainda se acostuma em viver em um país onde 75% da população é formada por judeus.

Ela ainda se acostuma com as tradições locais do país do Oriente Médio. Onde ela mora, a população é quase que totalmente formada por judeus e muçulmanos. Encontrar uma igreja para a missa do domingo é bastante complicado.

“É bem diferente, principalmente porque eu sou muito religiosa, né? Então essa é a principal diferença que sinto. De não poder ir em uma igreja ali na esquina. No Brasil, tem uma igreja em cada esquina”, conta Daniela. “Então, eu sinto essa falta, muito. Isso é muito gritante para mim. Sinto falta de ir à missa, da minha família, da comida. A comida é completamente diferente. A forma deles, a tradição, a cultura deles é completamente diferente”.

Apesar de aprender hebraico e se esmerar em se incluir na sociedade local, Daniela está decidida a manter a identidade brasileira. Ela tenta cozinhar quitutes nacionais e planeja falar em português com os filhos, que já estão planejados:

“Decidi que vou fazer daqui, onde eu estou, um pequeno Brasil para mim. Tudo que eu faço em casa, toda a minha cultura. Eu sei que tem a cultura também que entra, mas eu tento manter. Tenho que manter isso para me sentir bem. Até com os meus filhos, depois, quero que eles tenham isso. Mesmo não estando no Brasil, eles vão ter o Brasil deles em casa”.

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