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Brasil

Indicação de brasileiro às Forças Armadas dos EUA não implica em intervenção do Brasil na Venezuela, diz especialista

media O general Alcides Valeriano de Faria Junior foi indicado para ocupar o cargo de subcomandante de interoperabilidade das Forças Armadas dos Estados Unidos. Captura de vídeo

A indicação de um militar brasileiro para o Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos (Southcom) gerou uma enxurrada de especulações sobre uma possível participação do Brasil em uma intervenção militar na Venezuela. Entrevistado pela RFI, o professor Vinicius Mariano de Carvalho, do Departamento de Estudos sobre Guerra do King’s College, em Londres, descartou a hipótese: “De uma perspectiva de diplomacia de defesa brasileira, não há nenhuma intenção ou interesse que haja uma intervenção militar na Venezuela”, afirma.

Pela primeira vez, o Brasil terá um oficial no Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos. O general de Brigada Alcides Valeriano de Faria Junior teve seu nome confirmado há poucos dias para ocupar o cargo de subcomandante de interoperabilidade do Southcom.

A informação teve forte repercussão no Brasil. Há especulações que, com a nomeação do general brasileiro, os Estados Unidos estariam contando com a ajuda do Brasil para uma intervenção militar na Venezuela.

Ajuda humanitária ou pretexto para intervenção?

Desde o início deste mês, toneladas de ajuda humanitária enviadas pelos Estados Unidos estão bloqueadas na fronteira da Colômbia com a Venezuela. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, proibiu que os carregamentos de alimentos e remédios entrem no país, alegando que o envio do material é um pretexto para a ingerência dos Estados Unidos.

Carvalho reconhece o interesse americano no fim do regime chavista, mas descarta uma colaboração do Brasil em uma operação militar. “É claro que esse apoio humanitário que tem sido mandado pelos Estados Unidos à Venezuela está vindo com um rótulo de mudança de regime. Mas embora o Brasil venha se manifestando contra Maduro desde a presidência anterior, também se mostra contrário a qualquer tipo de intervenção militar nesse nível”, diz.

Ao contrário das especulações, um brasileiro no Southcom poderia, segundo o especialista, evitar um conflito na região. “Podemos pensar que a presença brasileira no Comando Sul seja de certa forma até um contrabalanço desta percepção ou sonho de uma intervenção militar na Venezuela”, avalia.

Segundo ele, ter um brasileiro dentro deste comando não fere a soberania militar nacional e pode ser algo positivo para o Brasil. “Ao contrário, esse representante dentro do Southcom é alguém que pode defender o interesse nacional em relação à segurança e à estratégia nacional de defesa em um ambiente diplomático externo.”

Primeiro brasileiro no Southcom

O anúncio da nomeação de um militar brasileiro foi realizado pelo almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, durante uma audiência na Comissão das Forças Armadas do Senado americano, em 7 de fevereiro. Já a decisão pela indicação do general Alcides Valeriano de Faria Junior teria acontecido após uma visita de Faller ao Ministério da Defesa ao Brasil, em 11 de fevereiro.

O Ministério da Defesa do Brasil nega, no entanto, que a visita de Faller tenha relação direta com a nomeação do general brasileiro ao Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos. Em nota, o governo brasileiro afirmou que o objetivo da visita do oficial foi “promover a cooperação no âmbito da defesa entre o Brasil e os Estados Unidos, além de fortalecer os laços de amizade entre as duas nações”.

Em Brasília, o almirante americano se reuniu com o comandante da Marinha do Brasil, Ilques Barbosa Júnior, que a apresentou as operações desenvolvidas pelas forças brasileiras, no país e no exterior, além de projetos estratégicos, como o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub). Faller também se encontrou com o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Raul Botelho, segundo ele, para discutir “possíveis tratativas entre os dois países”.  

Para Carvalho, a nomeação de Faria Junior tem relação direta com a aproximação do governo Bolsonaro com a administração americana. “O governo que assumiu o Brasil em 2019 declarou-se claramente mais favorável a uma política externa alinhada com os Estados Unidos. Consequentemente, uma série de linhas de relações exteriores vão se estabelecer neste sentido. Portanto, é um momento favorável ou oportuno para que essas relações de diplomacia e de defesa também se reforcem.”

Como atua o Southcom

Ligado ao Departamento de Defesa americano, o Comando Sul dos Estados Unidos ou Southcom é uma das dez unidades de combate do país e integra tropas do Exército, Força Aérea, da Marinha e guarda costeira dos Estados Unidos. O órgão é responsável pelo planejamento de contingência e por operações de cooperação no setor de segurança para as Américas do Sul, Central e Caribe.

O especialista do King’s College não se surpreende com indicação de um brasileiro para integrar o Comando Sul dos Estados Unidos e considera que a decisão não passou de “um procedimento”. De acordo com Carvalho, o Southcom conta com a presença de outros militares de vários países sul-americanos.

“Faz parte de instrumentos de diplomacia de defesa esse convite para que militares de outros países participem até mesmo de tomadas de decisão entre nações amigas. Eu, pessoalmente, não sou pessimista sobre a nomeação do general brasileiro”, conclui.

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