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Brasil

Contrariando Maduro, Brasil vai abrir centro de ajuda humanitária para Venezuela

media Maria Teresa Belandria, indicada por Juan Guaidó para representar a Venezuela no Brasil, disse que o chanceler brasileiro poderia visitar o novo centro de ajuda humanitária na fronteira venezuelana REUTERS/Ueslei Marcelino

O Brasil aceitou abrir no estado de Roraima um centro de armazenamento de ajuda humanitária para a Venezuela. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (11), em Brasília, por Lester Toledo, coordenador do projeto, designado pelo venezuelano Juan Guaidó, presidente interino autoproclamado

"Podemos dizer oficialmente que será o segundo grande centro de armazenamento depois do de Cúcuta [na Colômbia] e que o Brasil se soma a esta coalizão" que faz pressão para a saída do presidente Nicolás Maduro, afirmou Toledo após ser recebido pelo chanceler brasileiro Ernesto Araújo. O representante de Guaidó disse que nos próximos dias vai visitar Roraima, "para ver onde fica o centro de armazenamento", de modo que "a partir da próxima semana (...) comecem a chegar as primeiras toneladas de ajuda".

"Há dezenas de países da região do Grupo Lima e da Europa que já estão à espera de trazer as primeiras toneladas de ajuda, suprimentos médicos, alimentos", afirmou. Em Cúcuta, comida e medicamentos enviados pelos Estados Unidos permanecem desde quinta-feira (7) em um centro de armazenamento perto da ponte fronteiriça Tienditas, bloqueada pelo exército venezuelano com dois contêineres e uma caminhão-tanque.

Guaidó aposta no apoio dos militares

Quando perguntado sobre como a ajuda humanitária poderia ser encaminhada do Brasil à Venezuela, Toledo disse que a equipe de Guaidó aposta no apoio dos militares. "Os soldados [venezuelanos] esperam apenas uma ordem. Eles sabem que esta ajuda humanitária é alimento para crianças e remédios para os doentes", disse.

"Temos recebido bons sinais de dentro Venezuela, da Igreja, das ONGs. Para a distribuição interna? Como vai entrar? Com as pessoas, com o acompanhamento do povo que quer mudanças", declarou ainda, sem levar em conta as ordens do presidente Nicolás Maduro, que proibiu a entrada da ajuda humanitária no território venezuelano.

Chanceler brasileiro poderia visitar centro de ajuda

Maria Teresa Belandria, designada "embaixadora" no Brasil do autoproclamado presidente Guaidó afirmou, por sua vez, que o chanceler Araújo iria pessoalmente ao centro, uma vez instalado, "para mostrar não só o apoio através do envio de toneladas [de ajuda], mas apoio político".

Brasil e Venezuela compartilham uma fronteira de cerca de 2.200 quilômetros. Nos últimos três anos, mais de 150.000 venezuelanos entraram no Brasil fugindo da hiperinflação, da escassez e da violência. Somente o estado de Roraima recebeu 75.500 pedidos de regularização desde 2015.

(Com informações da AFP)

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