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Equipe de jornalistas brasileiros dribla censura e filma na Arábia Saudita

Equipe de jornalistas brasileiros dribla censura e filma na Arábia Saudita
 
André Fran na piscina do hotel Ritz-Carlton, na Arábia Saudita, convertido em uma espécie de prisão de luxo em 2017. Equipe "Que Mundo é Esse?"

Peça fundamental no xadrez geopolítico global, com papel de destaque nas guerras da Síria, do Iêmen e no setor de petróleo, a Arábia Saudita está na mira da comunidade internacional desde o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em outubro passado. A incerteza quanto as consequências do episódio para as relações do reino com os Estados Unidos e na economia saudita criou um clima de instabilidade. Em meio a essa turbulência, a equipe de um programa de TV do Brasil driblou as restrições e, em dezembro, passou 17 dias gravando neste que é um dos mais fechados países da atualidade.

Mariana Durão, correspondente da RFI em Dubai 

O diretor e co-autor do programa “Que Mundo é Esse?”, André Fran, conversou com a RFI sobre a aventura no país do Golfo. Também escritor, palestrante e comentarista, Fran começou sua jornada na TV em 2009 com a premiada série de viagens “Não Conta lá em Casa”. Na passagem pela Arábia Saudita, ele teve a companhia dos parceiros Felipe UFO, Michel Coeli e Rodrigo Cebrian.

Os quatro testemunharam momentos históricos como o show do DJ francês David Guetta, em que pela primeira vez homens e mulheres sauditas se misturaram na plateia. O concerto ocorreu no fechamento da Formula E, uma corrida de carros elétricos sediada pela nação líder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), algo por si só inusitado, mas coerente com a Visão 2030 lançada pelo país, que prevê a diversificação da economia e a redução da dependência da commodity.

Original e sem filtro

As pautas polêmicas são a essência do “Que Mundo é Esse?”, que procura apresentar ao público uma versão original e sem filtro de questões contemporâneas. Desde a sua criação, em 2015, seus integrantes já estiveram na linha de frente da luta contra o grupo Estado Islâmico, viajaram pela isolada Coreia do Norte, registraram o drama dos refugiados em fuga para a Europa, participaram de uma parada militar na Rússia de Vladimir Putin e, recentemente, visitaram o Irã, no auge de uma crise econômica, social e da imposição de sanções pelos Estados Unidos.

Para evitar qualquer tipo de controle de autoridades e mostrar a realidade da forma mais isenta e independente possível, os quatro integrantes do programa viajam sempre com visto de turistas, no melhor estilo mochila nas costas, uma câmera na mão – o grupo leva equipamento reduzido e uma ideia na cabeça, ou melhor, um roteiro, que muitas vezes acaba sendo alterado por força das circunstâncias ao longo das viagens.

No caso da Arábia Saudita, onde é muito difícil obter um visto de turismo, eles aproveitaram a brecha criada para os espectadores da Formula E entrarem no país. O roteiro incluiu a capital Riade e a cidade de Jedá.

“A gente considerou que ia ter muito problema de liberdade para filmar e pessoas tentando coibir a gente, mas não rolou isso porque uma das ações do príncipe Mohammed Bin Salman de tornar, entre muitas aspas, o país mais aberto e progressista, foi tirar a polícia religiosa (responsável por fazer cumprir a Sharia, a lei islâmica) das ruas”, conta.

Risco de pena de morte

Ao contrário de outros episódios do programa, dessa vez foi difícil conversar com os moradores locais. O grupo optou por não abordar pessoas nas ruas por considerar que isso atrairia uma atenção excessiva, além de colocar os possíveis interlocutores em risco depois que o programa fosse ao ar. No pior cenário, diz Fran, eles poderiam ser tratados como espiões e até mesmo condenados à morte. A Arábia Saudita é adepta do wahabismo, uma forma rígida e ultraconservadora do islamismo. 

“Se no Irã já foi difícil, mas conseguimos (entrevistar) porque as pessoas tinham mais consciência, mais vontade de expor suas insatisfações, eram mais conectadas com as causas atuais do mundo, na Arábia Saudita foi muito mais complicado. Primeiro porque é um país que oprime muito mais o povo e onde as consequências de desafiar isso são muito maiores. E também por uma questão de a própria sociedade ser muito conservadora”, diz.

A Arábia Saudita foi o país em que Fran se sentiu mais limitado para gravar, mesmo em comparação à Coreia do Norte, onde há um limite claramente imposto pelo governo do que pode ou não ser visto por estrangeiros. “Não foi o [lugar] mais tenso, no sentido de medo, mas o mais limitador. Você tem que se segurar para não se expor e não sofrer consequências”, afirma.

Reformas sociais de olho na economia

A visita deixou ainda mais nítida para Fran a percepção de que o grande motor das recentes reformas sociais promovidas pelo reino é o interesse econômico, com a necessidade de reduzir a dependência local do petróleo, estimulando a indústria do entretenimento, o esporte e o turismo. Entre outras medidas foram reabertas salas de cinema e permitido às mulheres dirigir e frequentar estádios de futebol no país.

“Por mais que a sociedade esteja aprovando, e a gente conseguiu sentir que as mulheres estão felizes pelo país estar dando um passo, mesmo que pequeno, em direção a dar mais liberdade para elas, você vê que tem muito de interesse econômico e de imagem da Arábia Saudita por trás dessas liberdades. Muito mais para mostrar para o mundo do que de fato querer ter um avanço”, analisa.

O diretor do “Que Mundo é Esse?” destaca que o posicionamento das mulheres nos diferentes países muçulmanos varia de acordo com a vertente da religião islâmica seguida. No caso da Arábia Saudita, mesmo com as redes sociais livres ele enxerga um ativismo menor – e mais coibido – do que, por exemplo, no Irã, onde esses canais são totalmente controlados. As diferenças também se refletem nas roupas, com as sauditas adotando mais a burca do que em outras nações muçulmanas como Turquia, Emirados Árabes e Irã. “Não dá para colocar tudo na mesma caixa”, frisa.

Os integrantes do “Que Mundo é Esse?” estiveram em locais emblemáticos da história recente da Arábia Saudita. Um dos cenários foi o hotel cinco estrelas Ritz-Carlton, convertido em uma espécie de prisão de luxo em 2017, quando o príncipe Mohammed bin Salman deteve outros príncipes e autoridades de alto escalão sob o pretexto de combater um esquema de corrupção. Eles também estiveram no ponto mais próximo de Meca, cidade sagrada do islamismo proibida para não muçulmanos. 


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