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Cantora brasileira mistura música árabe e nordestina em álbum “Brisa Mourisca”

Cantora brasileira mistura música árabe e nordestina em álbum “Brisa Mourisca”
 
Caro Ferrer, cantora e compositora que mistura música árabe e nordestina em seu quarto álbum, Brisa Mourisca RFI

A mistura entre a música árabe e a nordestina foi a receita utilizada pela cantora Caro Ferrer na composição de seu quarto álbum, “Brisa Mourisca”. O nome é uma referência às raízes mouras do nordeste brasileiro, que inspiraram a artista em suas canções recheadas de um ritmo calmo, doce e sobretudo multicultural. Em entrevista à RFI, ela ressaltou o lado engajado de seu trabalho.

 

“A música do nordeste brasileiro tem influências árabes e orientais. Fui confirmando isso à medida que avançava em minha pesquisa de mestrado e pude ter certeza que essa influência existe não só na música, mas na cultura”, afirma Caro Ferrer, que estudou Literatura e Civilização Brasileira na universidade Paris Nanterre.

De acordo com a artista, uma das razões que a fizeram abordar o tema da migração em seu trabalho foi o fato de morar na França, país que enfrenta atualmente um fluxo migratório intenso, além do atual contexto brasileiro. “Comecei a compor esse disco em 2016. Eu percebi uma onda bem raivosa no Brasil, contra o nordestino. Contra os projetos sociais do PT, que favoreceram principalmente o Nordeste. Senti uma certa aversão”, conta.

“Ao mesmo tempo, Marine Le Pen subia nas pesquisas [durante a eleição presidencial francesa de 2017, que a candidata do então Frente Nacional perdeu] e [havia] uma coisa raivosa contra o povo árabe”, lembra. “Ao mesmo tempo em que o nordestino era diminuído, eu sentia o ódio de uma parte grande da França contra os migrantes, principalmente da Síria.”

Franceses são atraídos pela melodia

As músicas do quarto álbum de Caro Ferrer são acompanhadas de ritmos nacionais, como o Coco, o Baião e a Ciranda, e de instrumentos árabes. “Nas letras, vou falar do trabalhador, do migrante, de como esses povos sofrem e se viram”, revela a cantora.

Com relação ao público de uma artista internacional, com duas “casas”, e que transita frequentemente entre Brasil e França, Caro Ferrer disse que, em Paris, ela agrada mais aos franceses. “Não sei muito bem o porquê”, assume. “As pessoas vêm pela melodia, mesmo sem entender o que eu estou falando, é aquela coisa que ‘transporta’”, conclui.

Veja abaixo a entrevista completa:


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