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Brasil

Entre polêmicas e recuos, Bolsonaro estreia nas relações internacionais

media O presidente Bolsonaro falou em trocar experiência com Israel para importar técnicas de dessalinização da água do mar, irritando técnicos que aqui já desenvolveram trabalho semelhante. Fernando Frazao/Courtesy of Agencia Brasil/Handout via REUTERS

Especialistas criticam postura ideológica do governo de Jair Bolsonaro no Brasil e avaliam que discurso mais ameno com relação à China foi resultado de um “choque de realidade”. A expectativa é a estreia de Bolsonaro em eventos fora do país ao participar, semana que vem, do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

"Ainda é prematuro avaliar erros e acertos nessa área. Houve sinalizações, intenções e muito discurso", avalia o especialista em Relações Internacionais e professor aposentado da UFRJ, Antônio Celso Alves Pereira.

E, de fato, foram inúmeras polêmicas nascidas de declarações com claro viés ideológico, que levaram para o centro do debate questões sem relevância alguma para o desafio de fazer o país sair da crise econômica, como a possível instalação de uma base militar dos Estados Unidos em solo brasileiro.

Seria a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que o país abrigaria algo do tipo. O assunto apareceu numa espécie de vai e vem de opiniões, a partir de falas do próprio presidente, até que ministros militares afastaram de vez (ou pelo menos até este momento) definitivamente a ideia.

Na mesma linha, o governo afirmou, depois voltou atrás e a “última versão” é que pretende mesmo mudar a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. O presidente Bolsonaro falou em trocar experiência com Israel para importar técnicas de dessalinização da água do mar, irritando técnicos que aqui já desenvolveram trabalho semelhante e outros que não veem nisso um caminho eficiente para resolver o problema da seca no Nordeste.

Nessa corrente, antes mesmo da posse, o deputado e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, organizou em dezembro a Cúpula Conservadora das Américas, em Foz do Iguaçu, que reuniu políticos e ativistas da direita no Continente. Já num campo mais prático da diplomacia, ainda que pese o teor ideológico do tema, o Brasil assinou com outros 12 países a Carta de Lima, não reconhecendo o novo governo de Nicolás Maduro sob argumento de fraudes nas eleições e falta de democracia do governo venezuelano.

"O documento de Lima retrata o poder da direita que emanou das urnas em boa parte do continente, dos Estados Unidos à Argentina, passando por Brasil e Paraguai, por exemplo. E reflete internamente um problema muito grave, que começou antes de Chávez e se aprofundou demais agora com Maduro, numa situação absurda de crise humanitária com autoritarismo", afirmou o especialista da UFRJ. Para ele, "o Brasil é peça-chave numa saída, que precisa ser pacífica, mas hoje não é possível apontar qual deve ser o desfecho da crise venezuelana nem o tempo que ele virá".

Ameaças chinesas remodelam discurso de Bolsonaro: populista X estadista

Ainda que na prática pouca coisa tenha saído do papel nas relações internacionais do Brasil sob a gestão Bolsonaro, alguns recuos não foram apenas calibragem de um discurso ideológico, mas a percepção de que, assim como em outras áreas, o que pesa realmente na ponta são as relações econômicas.

Para o coordenador do Centro de Estudos Internacionais da ESPM, Alexandre Uehara, a China é um claro exemplo disso. Na visão dele, o governo começou mal na área internacional não por declarações ou desencontros de informação, mas pela forma como tratou seu principal parceiro individual no comércio.

Bolsonaro chegou a afirmar durante a campanha que os chineses não estavam comprando no Brasil, mas comprando o próprio país. E Pequim respondeu num editorial que tal visão poderia trazer sérios riscos à economia brasileira.

"Acho que hoje o governo Bolsonaro agora começou a entender melhor o peso das relações com a China e a importância disso para o a economia do Brasil. Então esse discurso contra os chineses foi amenizado, está se encaixando mais na realidade. Um governante não pode se pautar por questões pessoais e ideológicas, mas tem a obrigação de ver o que é de interesse do país. Essa é a diferença entre um populista, que só pense em seu futuro próximo, e um estadista", afirmou Uehara.

Sobre o mal-estar criado com países árabes, pela aproximação com Israel de Benjamin Netanyahu, o professor da ESPM avalia que no curto prazo os efeitos podem não ser sentidos, já que não é fácil substituir a carne brasileira vendida a vários países que tomaram as dores dos palestinos nessa discussão sobre a embaixada brasileira. Mas o especialista acredita que também nesse caso o governo terá de dosar suas posições para não prejudicar negócios de empresas e produtores brasileiros. "Pode não ter efeito agora, mas pode trazer dificuldades futuras. O mercado internacional é complexo. Há empresas que sobrevivem vendendo certos produtos para certos países", afirmou.

Imigração e Meio Ambiente

Outra decisão fruto de uma visão ideológica com resultados ainda incertos, mas que já gerou repercussão, foi a saída do Brasil do Pacto da Migração das Nações Unidas. Nesse caso, especialistas alertam para um impacto maior sobre brasileiros que vivem fora do país, do que para migrantes estrangeiros que entram no Brasil, já que o número do primeiro grupo é maior que o do segundo.

Também tem provocado reações a postura do governo com relação ao meio ambiente. Esta semana o governo suspendeu todos os repasses a ONGs ambientais e disse que fará um pente fino nos contratos, inclusive no Fundo da Amazônia. O assunto costuma ter peso na imagem do Brasil lá fora e analistas não descartam represálias a produtos nacionais dependendo da forma como a área ambiental for tratada pelo governo.

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