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Brasil

Em Tóquio, Carlos Ghosn se defende e diz que agiu com aprovação de diretores da Nissan

media Carlos Ghosn diz que agiu com aval de diretores da Nissan REUTERS/Charles Platiau/File Photo

O presidente da Renault, Carlos Ghosn, declarou nesta terça-feira (8), em Tóquio, que agiu com "a aprovação dos diretores da Nissan", em seu primeiro depoimento em um tribunal desde que foi detido, em novembro passado, por suposta malversação financeira.

Três horas antes do comparecimento de Carlos Ghosn, o dia mal tinha amanhecido, mas centenas de pessoas esperavam, apesar do frio glacial, diante do tribunal do distrito de Tóquio, relata Bruno Duval, enviado especial da RFI. A maioria era de curiosos que queriam ver de perto o detento mais famoso do Japão. Jornalistas do mundo todo também se aglomeravam no local.

Nas declarações ao tribunal em Tóquio, Ghosn afirmou ter "agido com honra, legalmente e com o conhecimento e a aprovação dos diretores da empresa".

O presidente da Renault e ex-chefe da Nissan, de 64 anos, recordou que "dedicou duas décadas de sua vida para reerguer" a montadora japonesa e disse que foi "acusado falsamente e detido de maneira injusta".

Ghosn, preso em Tóquio, seguirá na prisão devido ao risco de fuga, decidiu o juiz ao qual prestou depoimento nesta terça.

O juiz também mencionou o risco de Ghosn interferir para alterar provas em sua justificativa para manter o executivo na prisão.

O empresário franco-brasileiro-libanês foi acusado no dia 10 de dezembro de sonegar 5 bilhões de ienes (US$ 44 milhões) em rendas entre 2010 e 2015.

Ghosn também é suspeito de sonegação de renda entre 2015 e 2018, de abuso de confiança, e de desviar dinheiro de uma conta da Nissan para um amigo saudita.

Ghosn nega as acusações.

Aliança não corre perigo

A aliança industrial entre a Renault e a Nissan não está em perigo, garantiu o presidente do fabricante japonês de automóveis, em entrevista à AFP na segunda-feira (7), em meio à crise pela prisão em novembro, no Japão, de seu criador, Carlos Ghosn.

Hiroto Saikawa não quis, porém, falar sobre o futuro de Ghosn, que foi seu mentor. Tanto a Nissan quanto a Mitsubishi afastaram Ghosn da presidência, após sua detenção. Já a Renault decidiu mantê-lo como conselheiro, por enquanto, invocando a presunção de inocência.

"O sistema judicial japonês segue seu curso. Não tenho nada a dizer. Quero apenas me concentrar na estabilização da companhia e fazê-la avançar passo a passo", disse Saikawa, na primeira entrevista a um veículo de imprensa estrangeiro desde que o caso explodiu.

O presidente, de 65 anos, um dos homens de confiança de Ghosn, surpreendeu com suas duras palavras após a prisão, em 19 de novembro passado. Saikawa garante estar em contato "quase diário" com a Renault, apesar das tensões.
 

 

 

 

 

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