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Único terreiro de candomblé na Alemanha só pode fazer seis rituais por ano

Único terreiro de candomblé na Alemanha só pode fazer seis rituais por ano
 
O babalorixá Murah Soares. Foto: Divulgação/Fórum Brasil

Dirigir um terreiro de candomblé na Alemanha não é coisa fácil. Não só por causa da dificuldade para se achar algumas plantas e ervas para os rituais, mas também pela burocracia do país. O brasileiro Murah Soares conhece essas limitações como ninguém.

Murah é fundador e diretor do Ilê Obá Sileké, primeiro e único templo de candomblé na Alemanha. Situado num pátio interno de um prédio da capital alemã, o espaço existe há mais de 10 anos, dentro do Centro Intercultural Fórum Brasil, também fundado e dirigido por ele.

"O candomblé aqui não pode ser que nem no Brasil”, diz. “Primeiro, por causa do clima. É muito frio. E depois, o candomblé não faz parte da cultura alemã. Então aqui é difícil porque nem todos os alemães gostam da cultura brasileira, alguns têm uma certa aversão. Não é como no Brasil que você abre uma casa de candomblé, começa às seis da tarde, começa às seis da manhã. Não, aqui não. Aqui na Alemanha, como se diz: ‘tem que ter ordem’”, ressalta o babalorixá.

Por causa do barulho dos atabaques e dos frequentadores do local, o terreiro só pode realizar seis rituais por ano, uma vez a cada dois meses. Isso porque o espaço tem, hoje, uma autorização especial. Mas a realidade nem sempre foi assim. “Quando a gente não tinha uma permissão, vinha a polícia e mandava parar. Quando a gente fazia defumação, vinha o bombeiro, porque o pessoal falava que aqui estava pegando fogo. Assim é a Alemanha. Então, também temos que nos adaptar ao país”, frisa.

Driblando a 'rigidez' alemã

Por causa das limitações, o templo tem um calendário reduzido em comparação com os terreiros de candomblé no Brasil. O horário também é limitado: de 14h às 20h.

“O candomblé aqui é mais compacto. Quando vou fazer um ritual para Ogum, por exemplo, eu faço já para os orixás da terra todos juntos: Ogum, Oxóssi e Ossâim. É uma coisa que não acontece no candomblé no Brasil. Lá, a festa de Ogum é a festa de Ogum, a festa de Oxóssi é a festa de Oxóssi. Só um orixá. Aqui a gente faz junto”, conta. “E quando tocamos, tem que tocar com as portas fechadas. Normalmente, o candomblé não fecha as portas, todo mundo pode entrar e sair. Aqui não. Primeiro por causa dos vizinhos e depois por causa do frio.”

Mesmo assim, o paulista de 56 anos criado em Salvador não tem atualmente do que reclamar. O centro cultural que dirige, assim como seu templo de candomblé, já são pontos de referência em cultura afrobrasileira na Alemanha, realizando projetos que contam com incentivo financeiro do governo federal alemão e da prefeitura de Berlim.

Imagem da cerimônia de lavagem de uma igreja católica em Berlim promovida pelo Fórum Brasil em 2017. Foto: Divulgação/Forum Brasil

Com um círculo de cerca de 50 adeptos, o templo Ilê Obá Sileké tem recebido cerca de 200 pessoas em seus ritos religiosos abertos ao público. “Estou muito feliz. A casa costuma ficar cheia. Está lotada, sempre lotada. Graças a Deus e aos orixás”, comemora Murah.


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